terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Papa: não à busca de sucesso, riqueza, poder e prazer a qualquer preço


Cidade do Vaticano (RV) - “A condição para fazer parte do reino é realizar uma mudança na nossa vida, isto é converter-se, dando um passo a cada dia: trata-se de deixar os caminhos, convenientes, mas enganosos, dos ídolos deste mundo: o sucesso a todo custo, o poder à custa dos mais fracos, a sede de riqueza, o prazer a qualquer preço: comportamentos que são do diabo”. Foi o que recordou o Papa Francisco na sua alocução que precedeu neste 2º Domingo do Advento, a Oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. Em uma manhã de céu coberto o Papa disse que o convite é “abrir o caminho ao Senhor que vem. Ele não tira a nossa liberdade, mas nos dá a verdadeira felicidade”.
Missão do cristão
Com o nascimento de Jesus em Belém, é o próprio Deus que veio habitar no meio de nós, para nos libertar do egoísmo, do pecado e da corrupção”. “O Reino de Deus disse Jesus está no meio de vocês! Esta é a mensagem central de toda a missão cristã”, explicou Francisco revelando quanto seja importante esta “boa notícia”.
“Quando um missionário vai, um cristão vai anunciar Jesus, não vai fazer proselitismo, como se fosse um torcedor que busca para o seu time mais torcedores. Não, vai simplesmente a anunciar: o Reino de Deus está no meio de vocês! E assim o missionário prepara o caminho para Jesus que encontra o seu povo”.
Reino de Deus
“Certamente, o reino de Deus se estenderá indefinidamente para além da vida terrena, mas a boa notícia que Jesus nos traz - e que João antecipa - é que o reino de Deus, não devemos esperar por ele no futuro: se aproximou, e de alguma forma, já está presente e podemos experimentá-lo agora o poder espiritual.
“Deus vem estabelecer o seu domínio na nossa história, na nossa vida quotidiana; e lá onde é acolhido com fé e humildade brotam o amor, a alegria e a paz”.
Tempo de Natal
Nos aproximamos do Natal – destacou o Papa – “um dia de grande alegria, também exterior, mas é principalmente um evento religioso, por isso é necessária uma preparação espiritual”.
“Neste tempo de Advento, deixemo-nos guiar pela exortação de João Batista: 'Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas'. Nós preparamos o caminho do Senhor e endireitamos as suas veredas, quando examinamos a nossa consciência, quando vemos nossas atitudes, quando com sinceridade e confiança confessamos os nossos pecados no sacramento da Penitência".
Neste Sacramento experimentamos em nossos corações a proximidade do reino de Deus e a sua salvação. A salvação de Deus é obra de um amor maior, maior do que nosso pecado; somente o amor de Deus pode cancelar o pecado e livrar do mal, e somente o amor de Deus pode guiar-nos no caminho do bem.
Que a Virgem Maria  - concluiu Francisco - nos ajude a nos preparamos para o encontro com este Amor-maior que na noite de Natal se fez pequeno pequeno, como uma semente, caída na terra, a semente do Reino de Deus.
Antes de se despedir dos fiéis o Papa dirigiu sua saudação aos romanos e peregrinos presentes na Praça São Pedro. Em especial saudou os fiéis que vieram de Córdoba, Jaén e Valência, na Espanha; de Split e Makarska, na Croácia; das paróquias de Santa Maria da Oração e do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, de Roma. A todos desejou um bom domingo e um bom caminho de Advento marcando encontro para a próxima quinta-feira, festa de Maria Imaculada, na Praça Espanha. “Nestes dias – concluiu - vamos rezar juntos, pedindo a sua materna intercessão para a conversão dos corações e o dom da paz. E por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Bom almoço”. (SP)
Fonte:http://br.radiovaticana.va/news/2016/12/04/papa__n%C3%A3o_%C3%A0_busca_de_sucesso,_riqueza,_prazer/1276818

Papa: todos temos algo de ovelha perdida


Rádio Vaticano (RV) – O ponto central da homilia do Papa na manhã da terça-feira (06/12) foi o Evangelho da ovelha perdida com a alegria pela consolação do Senhor.

“Ele vem como um juiz” – explicou Francisco – “mas um juiz que cuida, um juiz cheio de ternura: faz de tudo para nos salvar”: não vem “para condenar mas para salvar”, procura cada um de nós, nos ama pessoalmente, “não ama a massa indistinta”, mas “nos ama por nome, nos ama como somos”.
A ovelha perdida – comentou o Papa – “não se perdeu porque não tinha uma bússola. Conhecia bem o caminho”. Se perdeu porque “o coração estava doente”, cego por “uma dissociação interior” e foge “para ficar longe do Senhor, para saciar aquela escuridão interior que a levava à vida dupla”: estar no rebanho e fugir para a escuridão. “O Senhor conhece estas coisas” e “vai a sua procura”. “A figura que melhor me faz entender o comportamento do Senhor com a ovelha perdida – confessa o Papa – é o comportamento do Senhor com Judas”.
“A mais perfeita ovelha perdida no Evangelho é Judas: um homem que sempre, sempre tinha algo de amargo no coração, algo a criticar nos outros, sempre separado. Não sabia da doçura da gratuidade de viver com todos os outros. E sempre, esta ovelha não estava satisfeita – Judas não era um homem satisfeito! – fugia. Fugia porque era ladrão, ia para aquele outro lado, ele. Outros são luxuriosos, outros... Mas sempre escapam porque têm aquela escuridão no coração que o separa do rebanho. E aquela vida dupla, aquela vida dupla de tantos cristãos, e também, com dor, podemos dizer, sacerdotes, bispos... E Judas era bispo, era um dos primeiros bispos, eh? A ovelha perdida. Pobre! Pobre este irmão Judas como o chamava padre Mazzolati, naquele sermão tão bonito. ‘Irmão Judas, o que acontece no teu coração?’. Nós devemos entender as ovelhas perdidas. Também nós temos sempre algo, pequeno ou nem tanto, das ovelhas perdidas”.
Aquilo que faz a ovelha perdida – destacou o Papa – não é tanto um erro quanto uma doença que está no coração e da qual o diabo tira proveito. Assim, Judas, com o seu “coração dividido, dissociado”, é “o ícone da ovelha perdida” e que o pastor vai procurar. Mas Judas não entende e “no final quando viu aquilo que a própria vida dupla provocou na comunidade, o mal que semeou, com sua escuridão interior, que o levava a fugir sempre, procurando luzes que não eram a luz do Senhor mas luzes como enfeites de Natal”, “luzes artificiais”, “se desesperou”. O Papa comentou:
“Há uma palavra na Bíblia – o Senhor é bom, também para estas ovelhas, nunca deixa de procurá-las – há uma palavra que diz que Judas se enforcou, enforcou e ‘arrependido’. Eu creio que o Senhor tomará aquela palavra e a levará consigo, eu não sei, talvez, mas aquela palavra nos faz duvidar. Mas essa palavra o que significa? Que até o final o amor de Deus, trabalha naquela alma, até o momento do desespero. E esta é a atitude do Bom Pastor com a ovelha perdida. Este é o anúncio, a boa notícia que nos traz o Natal e nos pede essa sincera alegria que muda o coração, que nos leva a nos deixarmos consolar pelo Senhor, e não as consolações que procuramos para tentar desabafar, para escapar da realidade, escapar da tortura interior, da divisão interior”.
Jesus, quando encontra a ovelha perdida não a insulta, ainda que tenha feito tanto mal. No Jardim das Oliveiras chama Judas “Amigo”. São as carícias de Deus:
“Quem não conhece as carícias do Senhor não conhece a doutrina cristã! Quem não se deixa acariciar pelo Senhor está perdido! É esta a boa notícia, esta é a alegria sincera que nós hoje queremos. Esta é a alegria, esta é a consolação que buscamos: que venha o Senhor com o seu poder, que são as carícias, a encontrar-nos, para nos salvar, como a ovelha perdida e a nos levar para o rebanho de sua Igreja. Que o Senhor nos conceda esta graça, de esperar o Natal com as nossas feridas, com os nossos pecados, sinceramente reconhecidos, para esperar o poder desse Deus que vem nos consolar, que vem com poder, mas o seu poder é a ternura, as carícias que nasceram do seu coração, o seu coração tão bom que deu a vida por nós”. (RB-SP)
Fonte:http://br.radiovaticana.va/news/2016/12/06/papa_todos_temos_um_qu%C3%AA_de_ovelha_perdida/1277110

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Papa: vencer as resistências à graça de Deus


Quinta-feira, 1 de dezembro, na Missa em Santa Marta o Papa Francisco afirmou que todos temos no coração resistências à graça de Deus: é preciso encontrá-las e pedir ajuda ao Senhor, reconhecendo-se pecadores.
Tomando como estímulo a frase da liturgia do dia: “que a tua graça vença as resistências do pecado”, o Santo Padre concentrou-se nas resistências que existem na vida cristã e distinguiu-as dizendo que existem as abertas que são saudáveis, pois estão abertas à graça de Deus, e outra, mais perigosas, que são aquelas escondidas – disse Francisco:
“Mas essas resistências escondidas, que todos temos, como são? Sempre vêm para deter um processo de conversão. Sempre! É deter, não é lutar contra. Não, não! É ficar parado; sorrir, talvez: mas você não passa. Resistir passivamente, de maneira escondida. Quando há um processo de mudança numa instituição, numa família, eu ouço dizer: ‘Há resistências ali’… Mas graças a Deus! Se não existissem, a coisa não seria de Deus. Quando há essas resistências é o diabo que as semeia ali, para que o Senhor não prossiga”.
Estas resistências escondidas – nas palavras do Papa – podem ser de três tipos: aquelas das palavras vazias, que vivem na camuflagem espiritual: dizem sim diplomaticamente mas não mudam nada; depois há as resistências das palavras justificativas, ou seja, quando uma pessoa se justifica continuamente e tem sempre “uma razão para se opor”; finalmente, existem as palavras acusadoras que se verificam quando se resiste à graça de Deus acusando os outros para “não olhar para si mesmos”.
Segundo o Santo Padre, quando existem resistências não é preciso ter medo, mas pedir ajuda ao Senhor, reconhecendo-se pecador:
“Digo-lhes para não ter medo quando cada um de vocês, cada um de nós, vê que em seu coração existem resistências. Digam claramente ao Senhor: ‘Olha, Senhor, eu procuro cobrir isso, fazer aquilo para não deixar entrar a sua palavra. Senhor, com grande força, socorre-me. A sua graça vença as resistências do pecado’. As resistências são sempre um fruto do pecado original que nós levamos. É feio ter resistências? Não é bonito! O feio é tomá-las como defesa da graça do Senhor. Ter resistência é normal. É dizer: Sou pecador, ajuda-me Senhor! Preparemo-nos com esta reflexão para o próximo Natal.”
No final da missa, o Papa recordou que neste dia 1 de dezembro celebram-se os 100 anos do assassinato do Beato Charles de Foucauld, ocorrido na Argélia em 1916. Era “um homem que venceu tantas resistências e deu um testemunho que fez bem à Igreja. Peçamos que nos abençoe do céu e nos ajude a caminhar nos caminhos de pobreza, contemplação e serviço aos pobres” – afirmou o Papa.
(RS/BF/MJ)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2016/12/01/papa_vencer_as_resist%C3%AAncias_%C3%A0_gra%C3%A7a_de_deus/1276158

Audiência geral: enterrar os mortos e rezar por vivos e defuntos


Quarta-feira, 30 de novembro, audiência geral com o Papa Francisco na Sala Paulo VI. O Santo Padre concluiu o ciclo de catequeses dedicado à misericórdia analisando duas obras de misericórdia: uma espiritual, rezar a Deus por vivos e defuntos, e outra corporal, enterrar os mortos.
À primeira vista, enterrar os mortos pode parecer uma obra de misericórdia estranha – observou o Santo Padre – mas pensemos em tantas regiões atribuladas pelo flagelo da guerra, onde enterrar os mortos torna-se, tristemente, uma obra muito atual. Às vezes, exige uma grande coragem, como no caso de José de Arimatéia, que providenciou um sepulcro para Jesus, após a sua morte na Cruz – recordou o Papa.
Para os cristãos, a sepultura é um ato de piedade, mas também de fé e esperança na ressurreição dos mortos – disse Francisco – por isso, somos chamados também a rezar pelos defuntos, primeiramente, porque reconhecemos o bem que essas pessoas nos fizeram em vida e, depois, para encomendá-las à misericórdia de Deus.
Na conclusão da sua catequese o Papa Francisco sublinhou ainda que não nos podemos esquecer de rezar pelos vivos que são os nossos companheiros nas provas da vida. Trata-se de uma manifestação de fé na ‘Comunhão dos Santos’, que nos ensina que os batizados, encontrando-se unidos em Cristo e sob a ação do Espírito Santo, podem interceder uns pelo outros.
A este propósito, o Santo Padre contou um episódio ocorrido no dia anterior de um jovem empresário que participou na Missa em Santa Marta e que após a celebração disse em lágrimas que deveria fechar a sua fábrica devido à crise mas 50 famílias ficariam sem trabalho. “Eis um bom cristão” – disse o Papa, pois ele poderia declarar falência e ficar com o dinheiro, mas a sua consciência não o permitia e foi à missa para pedir a Deus uma solução, não para ele, mas para as 50 famílias. “Este é um homem que sabe rezar, pelo próximo numa situação difícil. E não busca a solução mais fácil. Fez-me tão bem ouvi-lo e espero que existam tantas pessoas assim hoje, pois muitos sofrem com a falta de trabalho” – disse Francisco.
Nas saudações o Papa dirigiu-se também aos peregrinos de língua portuguesa presentes na audiência convidando-os a irem ao encontro de Jesus neste Advento. Disse que Jesus espera por nós “em todos os necessitados, aos quais podemos levar ajuda com as obras de misericórdia”.
Destaque especial para as palavras do Papa declarando o seu pesar pelas vítimas do acidente de aviação que vitimou a equipa de futebol brasileira Chapecoense:
“Eu também gostaria de recordar hoje a dor do povo brasileiro pela tragédia da equipa de futebol e rezar pelos jogadores mortos, pelas suas famílias. Na Itália, sabemos bem o que isso significa, pois lembramos Superga, em 1949. São tragédias duras. Rezemos por eles.”
O Papa Francisco a todos deu a sua benção!
(RS)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2016/11/30/audi%C3%AAncia_enterrar_os_mortos_e_rezar_por_vivos_e_defuntos/1275819

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Bispo de Chapecó: “fica o legado, é preciso recomeçar”


O bispo de Chapecó, Dom Odelir José Magri, falou com a Rádio Vaticano sobre a tragédia do voo da Chapecoense.
“Estamos aqui com esta tragédia, tentando entender esse momento difícil para toda a região, principalmente para os familiares das vítimas".
RV: Uma tragédia que pega uma cidade inteira de surpresa num momento de alegria...
“Tudo preparado para ser uma grande festa, e está se encaminhando agora com essa tragédia: meu Deus, estamos sem saber o que dizer. Fizemos uma nota como diocese, fiz um vídeo também deixando uma mensagem a todos os familiares. Hoje à noite, as 18h30 teremos na catedral a Santa Missa já nesta intenção. Depois vamos ver os possíveis encaminhamentos segundo as orientações de quando começarão a chegar os corpos.
RV: O senhor além de pastor é torcedor...
“Pois é, nós estivemos lá na semana passada no jogo com o San Lorenzo, e a classificação para a final. Foi alegria, muita festa. A cidade toda estava neste clima, neste entusiasmo, e meu Deus, hoje de manhã acordamos com essa tragédia, com essa notícia. Até então parece um sonho, parecemos não acreditar ainda. Todas as informações confirmam o acontecido.
RV: O que dizer aos chapecoenses hoje...
“Neste momento, qualquer palavra parece não ter a força necessária para expressar o que estamos sentindo. Em todo caso, neste momento nossa atitude vai ser de presença, de acompanhar, de solidariedade, de participar dessa dor com as famílias, os amigos, e depois toda a família chapecoense, os torcedores que estavam tão animados para esta festa da final. Vamos estar juntos, aceitando este momento trágico, e ao mesmo tempo, renovando esse sentido que a morte não é o final de tudo, ela traz dor e sofrimento, mas a vida continua portanto, a fé deve ser um ponto de força para todos, especialmente para os familiares, para continuar a vida, para continuar lutando, e guardando então como ponto de motivação, o exemplo bonito que este time estava dando, cada pessoa individualmente, vestindo essa camisa, e lutando juntos por um sonho. Fica deles, esse aspecto bonito de uma equipe que – sem grandes recursos econômicos – mas no sentido bonito de time, de força associativa, não era só os jogadores, a diretoria, toda a caminhada do clube fica como legado que certamente deverá ser continuado. Neste momento, a nossa presença e solidariedade, dizendo que a vida continua, vamos pra frente, é possível recomeçar”.
(RB)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2016/11/30/bispo_de_chapec%C3%B3_%E2%80%9Cfica_o_legado,_%C3%A9_preciso_recome%C3%A7ar%E2%80%9D/1275755

Papa: humildade cristã é a virtude dos pequenos


Terça-feira, 29 de novembro: na Missa em Santa Marta o Papa afirmou que a humildade cristã é a virtude dos pequenos. O Santo Padre disse que o Senhor revela o Mistério da Salvação aos pequenos e não aos doutores.
“O louvor de Jesus ao Pai” é a passagem que nos narra S. Lucas na Liturgia deste dia de Advento. Francisco parte daí para sublinhar na sua homilia o “coração dos pequenos”, pois são eles os protagonistas do Natal: “um menino, um estábulo, uma mãe e um pai…As coisas pequenas” – afirmou.
O Papa sublinhou que os pequenos têm “temor de Deus”. Mas não o temor feito de medo: “Mas dar vida ao mandamento que Deus deu as nosso pai Abraão: caminha na minha presença e que sejas irrepreensível. Humilde. Esta é a humildade. O temor do Senhor é humildade”.
“Viver a humildade, a humildade cristã é ter este temor do Senhor” – disse o Santo Padre que declarou que a humildade é a virtude dos pequenos:
“A humildade é a virtude dos pequenos, a verdadeira humildade, não a humildade um pouco de teatro: não, essa não” – disse Francisco.
No final da sua homilia o Papa, pensando no Natal, referiu que também é “humilde, muito humilde”, aquela jovem para a qual Deus “olha” para “enviar o Seu Filho”, e que logo vai ver a prima Isabel e não diz nada sobre “aquilo que tinha acontecido”. A humildade é assim” – acrescentou Francisco – ”caminhar na presença do Senhor”, felizes e alegres porque “vigiados por Ele.
(RS)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2016/11/29/papa_humildade_crist%C3%A3_%C3%A9_a_virtude_dos_pequenos/1275586

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Francisco: para encontrar Jesus devemos pôr-nos em caminho


A fé cristã não é uma teoria ou uma filosofia, mas é o encontro com Jesus. Foi o que destacou o Papa celebrando a Missa na capela da Casa Santa Marta na segunda-feira (28/11), no início do Tempo do Advento.
Na sua homilia, o Pontífice observou que neste período do Ano, a Liturgia nos propõe inúmeros encontros de Jesus: com a sua Mãe no ventre, com São João Batista, com os pastores, com os Magos. Tudo isso nos diz que o Advento é “um tempo para caminhar e ir ao encontro com o Senhor, isto é, um tempo para não ficar parado”.
Oração, caridade e louvor: assim encontraremos o Senhor
Eis então que devemos nos perguntar como podemos ir ao encontro de Jesus. “Quais são as atitudes que devo ter para encontrar o Senhor? Como devo preparar o meu coração para encontrar o Senhor?”, questionou o Papa.
“Na oração do início da Missa, a Liturgia nos fala de três atitudes: vigilantes na oração, operosos na caridade e exultantes no louvor. Ou seja, devo rezar com vigilância; devo ser operoso na caridade – a caridade fraterna: não somente dar esmola, não; mas também tolerar as pessoas que me incomodam, tolerar em casa as crianças quando fazem muito barulho, ou o marido ou a mulher quando estão em dificuldade, ou a sogra... não sei .. mas tolerar: tolerar … Sempre a caridade, mas operosa. E também a alegria de louvar o Senhor: ‘Exultantes na alegria’. Assim devemos viver este caminho, esta vontade de encontrar o Senhor. Para encontrá-lo bem. Não ficar parados. E encontraremos o Senhor”.
Porém, acrescentou o Papa, “ ali haverá uma surpresa, porque Ele é o Senhor das surpresas”. Também o Senhor “não está parado”. Eu, afirmou Francisco, “estou em caminho para encontrá-Lo e ele está em caminho para me encontrar. E quando nos encontramos, vemos que a grande surpresa é que Ele está me procurando antes que eu comece a procurá-lo”.
O Senhor sempre nos precede no encontro
“Esta é a grande surpresa do encontro com o Senhor. Ele nos procurou por primeiro. É sempre o primeiro. Ele percorre o seu caminho para nos encontrar”. Foi o que aconteceu com o Centurião:
“O Senhor vai sempre além, vai primeiro. Nós fazemos um passo e Ele faz dez. Sempre. A abundância de sua graça, de seu amor, de sua ternura não se cansa de nos procurar, também, às vezes, com coisas pequenas: Pensamos que encontrar o Senhor seja algo magnífico, como aquele homem da Síria, Naamã, que tinha hanseníase: E não é simples. Ele também teve uma surpresa grande da maneira de Deus agir. O nosso é o Deus das surpresas, o Deus que está à procura de nós, nos espera, e nos pede somente o pequeno passo da boa vontade.”
Devemos ter a “vontade de encontrá-lo”. Depois, Ele “nos ajuda”. “O Senhor nos acompanhará durante a nossa vida”, disse o Papa. Muitas vezes, irá nos ver distanciar Dele, e nos esperará como o Pai do Filho Pródigo.
A fé não é saber tudo sobre dogmática, mas encontrar Jesus
“Muitas vezes”, acrescentou o pontífice, “verá que queremos nos aproximar e sairá ao nosso encontro. É o encontro com o Senhor: isto é importante! O encontro. “Sempre me impressionou o que o Papa Bento XVI disse: que a fé não é uma teoria, uma filosofia, uma ideia: é um encontro. Um encontro com Jesus”. Caso contrário, “se você não encontrou a sua misericórdia pode até rezar o Credo de cor, mas não ter fé”:
“Os doutores da lei sabiam tudo, tudo sobre a dogmática daquele tempo, tudo sobre a moral daquele tempo, tudo. Não tinham fé, porque o seu coração tinha se distanciado de Deus. Distanciar-se ou ter o desejo de ir ao encontro. Esta é a graça que nós hoje pedimos. Ó Deus, nosso Pai, suscita em nós a vontade de ir ao encontro de Cristo, com as boas obras. Ir ao encontro de Jesus. Por isso, recordamos a graça que pedimos na oração, com a vigilância na oração, operosos na caridade e exultantes no louvor. Assim, encontraremos o Senhor e teremos uma linda surpresa.”
(BS/BF/MJ)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2016/11/29/francisco_para_encontrar_jesus_devemos_p%C3%B4r-nos_em_caminho/1275530