sábado, 24 de setembro de 2016

Causas dos Santos: novo regulamento sobre reconhecimento de milagres


Cidade do Vaticano (RV) - O Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, sob o mandato do Papa Francisco, aprovou o novo Estatuto do Conselho Médico da Congregação das Causas dos Santos.
Segundo o secretário do dicastério vaticano, Dom Marcello Bartolucci, “o texto atual se inspira no regulamento precedente, aprovado pelo Beato Paulo VI, em 23 de abril de 1976. Além da adequação linguística e processual, foram introduzidas algumas novidades, como por exemplo: a maioria qualificada para proceder na análise de um suposto milagre é de pelo menos 5/7 ou 4/6; o caso não pode ser reexaminado mais que três vezes; para a revisão do suposto milagre é necessário consultar os novos membros; o cargo de presidente do Conselho pode ser reconfirmado somente uma vez  (5 anos mais 5); devem manter segredo todos aqueles que estudam o suposto milagre: promotores da causa, tribunal, postuladores, especialistas e oficiais do dicastério; o pagamento dos especialistas será feito através de depósito bancário; o subsecretário desempenha para os milagres as funções que a Constituição Apostólica Divinus perfectionis magister atribui ao relator”.
Finalidade do Estatuto
“A finalidade do estatuto é o bem das Causas que não pode prescindir da verdade histórica e científica dos supostos milagres. Como é necessário que as provas jurídicas sejam completas, convergentes e confiáveis, assim é necessário que o seu estudo seja efetuado com serenidade, objetividade e competência da parte de médicos altamente especializados, e num nível diferente, pelo Congresso dos teólogos consultores e pela sessão dos cardeais e bispos para, enfim, ser aprovado pelo Santo Padre que tem a competência exclusiva de reconhecer um evento extraordinário como milagre verdadeiro. Este regulamento diz respeito somente ao bom funcionamento do Conselho Médico, cuja tarefa é cada vez mais delicada, comprometedora e, graças a Deus, apreciada dentro e fora da Igreja”, disse Dom Bartolucci.
Milagres, dedo de Deus
“Os milagres não são eventos marginais ao Evangelho e às Causas dos Santos. Jesus anunciou o Reino de Deus com palavras e sinais messiânicos que realizava para tornar transparente a sua identidade, crível a sua missão e para antecipar as novidades finais do mundo redimido. A mesma coisa pode ser dita para os santos. Os milagres, que eles obtiveram com a sua intercessão, são o sinal da presença de Deus na história e ao mesmo tempo, são a confirmação de sua santidade, manifestada primeiramente no exercício heroico das virtudes cristãs ou no martírio. A Igreja é convicta de que nos milagres dos santos está o dedo de Deus que ratifica, por assim dizer, o juízo humano sobre a sua santidade de vida. Esta visão faz parte do sentir da Igreja e foi reiterada várias vezes pelo magistério ordinário até os pronunciamentos de Bento XVI e do Papa Francisco. É historicamente certo que os milagres sempre foram um assunto decisivo para a canonização dos Servos de Deus”, disse ainda o secretário da Congregação das Causas dos Santos.

Idade Média
“O milagre necessário para a beatificação dos veneráveis servos de Deus e para a canonização dos beatos”, recorda a introdução do estatuto, “sempre foi examinado com o máximo rigor. Já na época  medieval se recorreu a médicos especialistas através dos quais foi criado por Bento XIV, em 17 de setembro de 1743, um fascículo específico. Depois, Pio XII instituiu junto à Congregação dos Ritos Sagrados, em 20 de outubro de 1948, uma Comissão Médica à  qual acrescentou, em 15 de dezembro de 1948, um Conselho Médico especial.

“João XXIII, em 10 de julho de 1959, unificou estes dois organismos no Conselho Médico, aprovando o estatuto. À luz de novas exigências e segundo a Constituição Apostólica Sacra Rituum Congregatio de 8 de maio de 1969, se procedeu a uma nova revisão das normas do regulamento que foi aprovado por Paulo VI em 23 de abril de 1976".
“A promulgação da Constituição Apostólica Divinus perfectionis magister de João Paulo II, em 25 de janeiro de 1983, e a experiência dos últimos anos da Congregação das Causas dos Santos mostraram a necessidade de atualizar novamente o Estatuto do Conselho Médico. Para essa finalidade, foram redigidas as normas do novo regulamento do Conselho Médico da Congregação das Causas dos Santos”. (MJ) 
Fonte:http://br.radiovaticana.va/news/2016/09/23/causas_dos_santos_novo_regulamento_sobre_reconhecimento_de_/1260329

Santa Sé adere à Convenção da ONU contra a Corrupção


Cidade do Vaticano (RV) - O Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, depositou, formalmente, - no último dia 19, na Sede da ONU, em Nova Iorque, - o instrumento de adesão da Santa Sé à Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção
Ao expressar seu consenso a esta Convenção, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 31 de outubro de 2013, a Santa Sé, em nome e por conta do Estado da Cidade do Vaticano, formulou “duas reservas e três declarações” interpretativas, que fazem parte integral do  instrumento de adesão.
A mesma Convenção, - que prevê a adoção de medidas efetivas para prevenir e contrastar os crimes cometidos no âmbito da atividade pública, -  entrará em vigor para a Santa Sé e o Estado da Cidade do Vaticano no próximo dia 19 de outubro.
Dom Gallagher: Francisco pede para derrotar a corrupção
Em um artigo publicado no L’Osservatore Romano, o Arcebispo Paul Gallagher recorda que o Papa Francisco denunciou “a corrupção como uma chaga na sociedade e pediu que esta seja combatida ativamente”.
O Papa – escreve o Secretário para as Relações com os Estados – determinou que a Santa Sé e o Estado do Vaticano “se adequem aos mais altos padrões internacionais de prevenção da corrupção, quer no exercício de funções públicas, quer no âmbito econômico”.
Dom Gallagher recorda que a Convenção de Mérida contra a corrupção é “o principal instrumento global para prevenir e combater os crimes cometidos no âmbito da função pública”.
Santa Sé prossegue esforço contra toda forma de corrupção
Em particular – prossegue – os Estados que ratificaram a Convenção têm o dever de “investigar e punir” toda forma de corrupção “ativa e passiva” e prevê-se um “detalhado plano normativo para facilitar a assistência judiciária entre os Estados membros por meio da extradição, as rogatórias, a restituição de bens adquiridos ilicitamente, a assistência técnica, a troca de informações”.
O prelado recorda que a Santa Sé já adotou instrumentos jurídicos a este respeito, voltados a prevenir e investigar eventuais casos de corrupção e de propor às Autoridades competentes a adoção de políticas apropriadas para combater o crime.
Departamentos da Cúria revejam procedimentos administrativos
Por outro lado – Observa Dom Gallagher – “será necessário que, no futuro, os Departamentos competentes da Cúria Romana e do Estado da Cidade do Vaticano revejam os próprios procedimentos administrativos à luz dos parâmetros contidos na Convenção, com o objetivo de assegurar a necessária conformidade a ela”.
Por fim – conclui o Secretário – deseja-se que a adesão da santa Sé à Convenção de Mérida possa “contribuir aos esforços da Comunidade internacional para garantir a transparência e a boa gestão dos negócios públicos”.

(MT)
Fonte:http://br.radiovaticana.va/news/2016/09/23/santa_s%C3%A9_adere_%C3%A0_conven%C3%A7%C3%A3o_da_onu_contra_a_corrup%C3%A7%C3%A3o/1260187

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Cravos, lança, coroa de espinhos.... Onde se encontram essas preciosas lembranças da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo? Façamos, uma devota "peregrinação" à Cidade Eterna.

Todas as relíquias de Jesus Cristo, mesmo o mais simples objetos, impressionam e comovem a alma cristã, infundem profundo respeito e, ao mesmo tempo causam intensa Ecce Homo_.jpgatração. A sede de divino, inerente a todo homem, sente-se em algo atendida, ao contemplar uma delas.
Dessas inapreciáveis relíquias, o Santo Sudário de Turim é talvez a mais conhecida, em razão das reiteradas tentativas de negar sua autenticidade, todas, aliás frustradas por rigorosos testes científicos. Tudo isso foi noticiado pela grande imprensa, já de conhecimento público.
As provas científicas tem, é claro, seu valor. Mas o homem de coração reto, ao olhar para o Santo Sudário, encontra uma prova incalculavelmente mais valiosa de sua autenticidade. Qual pintor seria capaz de imaginar, de "criar" aquela fisionomia? Tanta grandeza e serenidade naquele rosto, tanto perdão e tanta censura naqueles olhos fechados, não é dado a homem algum inventar. Olha-se e crê-se! É a face de Jesus!
Escada Santa
Entretanto, muito menos conhecidas são as preciosas relíquias do Divino Mestre que um peregrino pode encontrar em Roma. Nesse sentido, é a Cidade Eterna um verdadeiroescrínio.
A pequena distância da magnífica Basílica de São João de Latrão, poderá o fiel devotamente subir de joelhos os degraus da Escada Santa, levada de Jerusalém para Roma,Escada Santa.jpg Trata-se da escada do Palácio de Pôncio Pilatos, pela qual subiu Jesus quando foiapresentado à turba ululante depois da Flagelação. - o "Ecce Homo". Inclusive, estão assinalados três pontos onde se vê a marca do divino sangue sobre o mármore branco dos degraus, agora revestidos de madeira.
Como não se comover imaginando o Homem-Deus, todo chagada, subindo por ela? Ao longo dos séculos, continuamente, gerações e gerações de enlevados fiéis tem subido de joelhos esses 28 degraus, pedindo perdão por seus próprios pecados, ou oferecendo um ato de reparação ao Divino Redentor.
Igreja da "Santa Cruz de Jerusalém"
Saindo da Scala Santa, pode o peregrino dirigir-se a uma igreja próxima, a da Santa Cruz de Jerusalém, mandada construir em Roma pela mãe do Imperador Constantino, Santa Helena, para abrigar as relíquias da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, trazidas por ela da Terra Santa.
Uma parte da Santa Cruz
Dirigiu-se Santa Helena à Terra Santa com o piedoso intuito de encontrar a Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi informada de que provavelmente ela estaria no local doSanto Sepulcro, pois os romanos costumavam enterrar junto ao corpo do condenado os instrumentos utilizados no suplício.
Para impedir a devoção dos primeiros cristãos, o Santo Sepulcro fora coberto deentulho, sendo construído ao lado um templo para Vênus, e uma estátua para Júpiter!
Por ordem de Santa Helena, esse templo foi destruído e a estátua feita em pedaços.Em seguida, iniciaram-se as escavações. No dia 3 de maio de 326, foram encontradas no local três cruzes. Tudo indicava serem a de Nosso Redentor e as dos dois Igreja da Santa Cruz de Jerusalém.jpgladrões. Como, porém, saber qual a de Jesus?
Nessa perplexidade, ocorreu uma solução ao Bispo Macário: mandou tocar uma delas numa mulher muito doente, certo de que a Providência se manifestaria para revelar qual a verdadeira Santa Cruz. Ao contato com a primeira e a segunda, nada ocorreu. Quando, porém, lhe foi tocada a terceira, a mulher imediatamente recobrou por completo a saúde. Não havia mais dúvida.
Jubilosa, a Imperatriz fez erigir no local a grandiosa Basílica da Santa Cruz, também chamada Igreja do Santo Sepulcro ou da Ressurreição, onde ficou guardada a principal parte da Cruz.
Outra parte foi enviada para Constantinopla, onde Constantino a recebeu com grande devoção. Tomado de respeito por essa relíquia, o monarca proibiu desde então o suplício da crucifixão em todo o Império Romano.
A mãe do Imperador levou para Roma o restante. Um importante fragmento é venerado até hoje na mencionada "Igreja da Santa Cruz de Jerusalém", outro na Basílica de São Pedro.
Um Cravo
Foram encontrados no mesmo local os cravos usados para pregar na Cruz o Divino Redentor. O Imperador Constantino incrustou um desses cravos em rico diadema de pérolas, usado por ele em ocasiões solenes. Em 550, os outros foram levados para Roma, pelo futuro Papa São Gregório Magno. Um deles é venerado no escrínio da "Igreja da Santa Cruz de Jerusalém".
A tabuleta INRJ
Nesse mesmo escrínio o peregrino poderá contemplar também a tabuleta com a inscrição "Jesus Nazareno Rei dos Judeus" - em hebraico, grego e latim - mandada fixar por Pilatos na Cruz do Salvador.
As relíquias da Paixão de Jesus.jpg
Acima: Igreja da Santa Cruz de Jerusalém. Nela, em valiosíssimo 
relicário, conservam-se (da esquerda para a direita) um fragmento
da coluna da flagelação, um dos cravos, o dedo de São Tomé, 
uma parte da Santa Cruz, um espinho da coroa e a tabuleta INRJ
Um Espinho da Coroa
Ao contrário do que se julga, comumente, a Coroa de Espinhos de Nosso Senhor não tinha a forma de um diadema, mas a de um barrete, com 21 cm de diâmetro, cobrindo-Lhe toda a cabeça. É feita de ramos de longos espinhos trançados. Depois de colocá-la na adorável fronte de Jesus, os algozes golpearam-na de modo a provocar grandes ferimentos, como pode ser atestado pelas manchas de sangue no Santo Sudário.
A Coroa permaneceu na Basílica do Monte Sião, em Jerusalém, até 1053, quando foi levada para Constantinopla. Em 1238, o Imperador Balduíno II entregou-a - juntamente com a ponta da lança de Longinus - como penhor de empréstimo contraído com bancos de Veneza. De comum acordo com esse Imperador, São Luís IX, Rei de França, resgatou a referida dívida e recebeuu em seu país as duas preciosas relíquias, com todas as demonstrações de veneração. O próprio rei, a rainha-mãe, inúmeros prelados e príncipes foram encontrá-los perto da cidade de Sens. São Luís e seu irmão, Roberto d'Artois, descalços, as levaram até a Catedral de Santo Estevão, nessa cidade.
Desejoso de acolher em lugar digno tão inestimáveis relíquias, o Rei santo fez construir em Paris uma verdadeira jóia da arquitetura gótica: a Sainte Chapelle (Capela Santa), uma maravilhosa igreja de vitrais, que extasia todos quantos tem a ventura de conhecê-la.
Atualmente, a Coroa de Espinhos está nos Tesouros da Catedral de Notre Dame de Paris. Em Roma encontra-se apenas um desses espinhos.

O dedo de São Tomé
Curiosamente, entre essas relíquias, no mesmo escrínio, está também o ... dedo de São Tomé, o Apóstolo incrédulo, que tocou a chaga do lado do Divino Redentor, após a Ressurreição.
A Coluna da Flagelação
Do portal de Santa Maria Maior, já se avista a Igreja de Santa Praxedes. Singela na aparência, o que conterá ela?
Por um corredor se chega a uma pequena capela, Aí, em uma coluna bem iluminada, está exposta a Coluna da Flagelação. É impressionante1 Sua simplicidade é eloqüente. Sem Coluna da Flagelação_.jpgornato algum, comove profundamente. Tem apenas 50 cm de altura, 32 cm de largura na base e 20 cm no topo, onde há uma argola de ferro na qual eram atados os supliciados. É feita de mármore branco com grossos grãos pretos.
No Santo Sudário de Turim, contam-se as marcas de mais de cem golpes de flagelo recebidos por Nosso Senhor. A Coluna da Flagelação foi levada para Roma em 1213, no tempo do Papa Inocêncio III.
A haste da Santa Lança
Descoberta no Santo Sepulcro, a Lança com a qual o centurião Longinus perfurou o lado do Senhor dói levada de Jerusalém para Antioquia. Na iminência da invasão moura, mãos piedosas a enterraram atrás do altar da Igreja de São Pedro. Durante a Primeira Cruzada, em 1907, os cristãos encontravam-se sitiados nessa cidade, em perigosa situação. Então, um mone que teve revelação sobrenatural, indicou o,local onde ela estava enterrada. Sua descoberta despertou o entusiasmo e deu novas energias aos cruzados, que derrotaram em seguida os sarracenos.
Já vimos, acima, como a ponta da Sagrada Lança foi levada para Paris e depositada, junto com a Coroa de Espinhos, na Sainte Chapelle. Durante a Revolução Francesa, infelizmente essa preciosa relíquia desapareceu. A haste permaneceu em Constantinopla, mesmo depois da tomada da cidade pelos turcos. E em 1492, o sultão Bajazet enviou-a ao Papa Inocêncio VIII, esclarecendo que a ponta se encontrava em poder do rei da França.
Atualmente essa haste é venerada na Basílica de São Pedro, ao lado de uma estátua de São Longinus, o centurião mártir.
A benfazeja proximidade do sobrenatural
A impressão da proximidade do sobrenatural, do amor de um Deus que se encarnou e sofreu o inimaginável para nos salvar, pervade e perfuma a alma do fiel que, contrito, contempla uma a uma as relíquias de nosso Divino Redentor.
Terminada essa "peregrinação" pelas relíquias de Jesus, nos resta na alma uma valiosa conclusão. Por vezes, assalta-nos a sensação de que Deus está distante, pouco acessível a nossos pedidos ou orações. Nada de mais falso e pernicioso para a vida espiritual! Deus está próximo de nós e ouve as nossas súplicas como se fossem as de um filho único, extremamente amado. (Revista Arautos do Evangelho, Março/2004, n. 27, p. 34 à 37)

Relíquias da Paixão de Jesus

Fonte:http://www.arautos.org/especial/3266/As-reliquias-da-Paixao.html

Dom Jaime retorna de Roma e fala das expectativas para canonização dos Mártires


O Arcebispo Metropolitano de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, retornou de Roma, na noite desta segunda-feira, 19. Na capital italiana, ele foi tratar do andamento do processo de canonização dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu. Na quarta-feira, 14, Dom Jaime teve uma audiência com o prefeito para a Congregação da Causa dos Santos, Cardeal Ângelo Amato. Também participaram do encontro, o postulador da Causa de Canonização dos Mártires, Frei Giovanni Califano, e o representante do processo de canonização, na Arquidiocese, Padre Júlio César Cavalcante. Na quinta, dia 15, às 11h30 (horário de Roma), o Arcebispo de Natal, acompanhado do arcebispo emérito de São Paulo, Cardeal Cláudio Hummens, teve uma audiência com o Papa Francisco.

Da esq.: Pe. Júlio César, responsável, na Arquidiocese, pelo processo de canonização; Cardeal Claudio Hummes, Arcebispo emérito de São Paulo; Papa Francisco; Dom Jaime Vieira; Pe. Flávio Medeiros, do clero natalense e residente em Roma; e Pe. Valdir Cândido, pároco da Catedral. (Foto: L'Osservatore Romano)
Da esq.: Pe. Júlio César, responsável, na Arquidiocese, pelo processo de canonização; Cardeal Claudio Hummes, Arcebispo emérito de São Paulo; Papa Francisco; Dom Jaime Vieira; Pe. Flávio Medeiros, do clero natalense e residente em Roma; e Pe. Valdir Cândido, pároco da Catedral.
(Foto: L’Osservatore Romano)
         

Em agosto de 2015, Dom Jaime recebeu um telefonema do Cardeal Hummens, informando que havia conversado com o Papa sobre a possibilidade da canonização dos mártires potiguares. Em entrevista à Rádio Vaticano, na sexta-feira passada, o cardeal falou sobre como surgiu a intenção da canonização dos protomártires nativos do Brasil. “Levantei esta causa tempo atrás com o Papa Francisco, lembrando que ele havia canonizado outros beatos históricos antigos e que não há mais muita documentação a ser levantada. Ele já canonizou o Beato Anchieta, o Padre Fabro, um dos fundadores da Companhia de Jesus. Numa audiência que tive com ele, me recordei destes nossos mártires e pensei: ‘Por que não apresentar ao Papa esta questão?’ e escrevi em um memorando ‘se não era possível pensar numa canonização’. Ele reagiu muito positivamente e me disse para conversar com o Cardeal Amato, com o Presidente da CNBB e com o Arcebispo de Natal. Foi o que eu fiz”, disse o arcebispo emérito de São Paulo.
Próximos passos
De volta a Natal, Dom Jaime Vieira informou que, agora, a Arquidiocese precisa cumprir algumas providências, referentes ao andamento do processo de canonização dos Bem aventurados Padre Ambrósio Francisco Ferro, Padre André de Soveral, Mateus Moreira e companheiros mártires. Entre elas, está a difusão da devoção aos mártires, padroeiros do Rio Grande do Norte.
Em outubro próximo, o postulador, Frei Giovanni Califano, deve entregar o relatório final do processo de canonização ao prefeito da Congregação da Causa dos Santos, Cardeal Ângelo Amato. A partir da daí, o processo será avaliado por uma comissão de cardeais e teólogos da Congregação para, em seguida, ser encaminhada ao Papa.
Fonte:http://arquidiocesedenatal.org.br/dom-jaime-retorna-de-roma-e-fala-das-expectativas-para-canonizacao-dos-martires.html


Papa: a vaidade é a osteoporose da alma


Quinta-feira, 22 de setembro, na Missa em Santa Marta o Papa Francisco afirmou que a vaidade é a osteoporose da alma. O Evangelho do dia apresenta-nos o rei Herodes inquieto porque, depois de ter morto João o Batista, agora sente-se ameaçado por Jesus. Estava preocupado como o pai, Herodes o Grande, depois da visita dos reis magos – afirmou o Papa.
Segundo o Santo Padre, Herodes tem na alma duas inquietações: aquela boa “que nos dá o Espírito Santo e faz com que alma esteja inquieta para fazer coisas boas” e a “inquietação má, aquela que nasce de uma consciência suja”. E os dois Herodes resolviam as suas inquietações “matando” e passando “por cima dos cadáveres” – disse Francisco:
“Esta gente que fez tanto mal, que faz mal, tem a consciência suja e não pode viver em paz, porque vive numa comichão constante, numa urticária que não os deixa em paz... Esta gente praticou o mal, mas o mal tem sempre a mesma raiz, todo o mal: a avidez, a vaidade e o orgulho. E os três não deixam a consciência em paz; os três não deixam que a inquietação saudável do Espírito Santo entre, mas levam a viver assim: inquietos, com medo. Avidez, vaidade e orgulho são a raiz de todos os males”.
O Papa Francisco na sua homilia focou a sua atenção na vaidade e citou a leitura do Eclesiastes proposta pela liturgia do dia tendo sublinhado que a vaidade é como a osteoporose da alma: os ossos parecem bons mas dentro estão estragados – afirmou o Papa:
“A vaidade que nos enche. A vaidade que não tem vida longa, porque é como uma bola de sabão. A vaidade que não nos dá um ganho real. Qual o ganho que tem o homem com toda a trabalheira com a qual se ocupa? Ele está ansioso para aparecer, para fingir, pela aparência. Esta é a vaidade. Se queremos dizer simplesmente: "A vaidade é maquilhar a própria vida. E isso deixa a alma doente, porque se alguém falsifica a própria vida para aparecer, para fazer de conta, e todas as coisas que faz são para fingir, por vaidade, no final o que é que ganha? A vaidade é como uma osteoporose da alma: os ossos do lado de fora parece bons, mas por dentro estão todos estragados. A vaidade leva-nos à fraude”.
O Papa Francisco recordou que existem muitas pessoas que parecem boas, que vão à missa aos domingos e até fazem ofertas para a Igreja, mas isso é o que se vê – comentou – mas “a osteoporose é a corrupção que têm dentro”. “Que o Senhor nos livre destas três raízes de todo os males: a avidez, a vaidade e o orgulho. Mas sobretudo da vaidade, que nos faz tanto mal” – disse o Papa na conclusão da sua homilia.
(RS)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2016/09/22/papa_a_vaidade_%C3%A9_a_osteoporose_da_alma/1259938

Papa aos jornalistas: honestos e respeitosos da dignidade humana

O Papa Francisco recebeu no final da manhã desta quinta-feira (22/09) cerca de 400 membros do Conselho da Ordem dos Jornalistas Italianos.
A audiência foi a ocasião para o Pontífice aprofundar as características e a missão do comunicador nos tempos actuais, com os jornais impressos e a televisão que perdem relevância para as redes sociais.
Também a Santa Sé, afirmou o Papa, viveu e está vivendo um processo de renovação do sistema comunicativo, com a Secretaria para a Comunicação que se tornará o ponto de referência para os jornalistas que cobrem os eventos vaticanos.
Consciente da frenesia que a actividade jornalística comporta, sempre atrelada ao “horário de fechamento”, Francisco recorda todavia que o jornalista tem grande responsabilidade, pois de certa maneira escreve “o primeiro esboço da História” e determina a discussão e a interpretação dos eventos. Por isso, é importante “parar e reflectir”. E o Pontífice ofereceu três elementos de reflexão: amar a verdade, viver com profissionalismo e respeitar a dignidade humana.
Amar a verdade não significa somente afirmar, mas viver a verdade. Testemunhá-la com o próprio trabalho. A questão não é ser ou não um fiel, destacou o Papa, mas ser ou não honesto consigo mesmo e com os outros. Na vida não é tudo branco ou preto. Também no jornalismo é preciso saber discernir as nuances de cinza dos factos a serem narrados, sobretudo nos embates políticos e nos conflitos. Por isso, o trabalho do jornalista é de aproximar-se o mais possível da verdade dos factos e jamais dizer ou escrever algo que, se sabe, não corresponde à realidade.
Viver com profissionalismo significa compreender e interiorizar o sentido profundo do próprio trabalho. Isto é, não submeter a própria profissão a lógicas económicas ou políticas. A tarefa do jornalismo, a sua vocação, é promover a dimensão social do homem, favorecer a construção de uma verdadeira cidadania. “Deveria fazer-nos pensar que, no decorrer da história, as ditaduras não só tentaram se apropriar dos meios de comunicação, mas também impor novas regras à profissão jornalística.”
Quanto ao último elemento, respeitar a dignidade humana, o Papa recordou que é importante em qualquer profissão, mas de modo especial no jornalismo, porque atrás de qualquer notícia há sentimentos, emoções. Enfim, a vida das pessoas. Francisco lembrou as inúmeras vezes que falou das bisbilhotices como “terrorismo”, de como é possível matar uma pessoa com a língua. Se isso vale para cada indivíduo, vale mais ainda para o jornalista. Certamente, a crítica é legítima, assim como as denúncias, mas tudo deve ser feito respeitando o outro. “O jornalismo não pode se tornar uma ‘arma de destruição’ de pessoas e, até mesmo, de povos. Nem deve alimentar o medo diante de mudanças e fenómenos como as migrações forçadas pela guerra ou pela fome.”
O Pontífice concluiu o seu discurso fazendo votos de que o jornalismo seja um instrumento de construção, “que não sopre sobre o fogo das divisões”, mas favoreça a cultura do encontro. “Vós jornalistas podeis recordar todos os dias a todos que não há conflito que não possa ser resolvido por mulheres e homens de boa vontade.”
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2016/09/23/papa_jornalistas_honestos_e_respeitosos_da_dignidade_humana/1260122

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O Papa em Assis: "só a paz é santa e não a guerra!". Texto integral


O Papa Francisco pronunciou na Praça São Francisco o discurso conclusivo do Encontro de Oração pela paz, em Assis: "Não nos cansemos de repetir que nunca o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa e não a guerra!"
Texto integral:

Santidades,
Ilustres Representantes das Igrejas, Comunidades cristãs e Religiões,
Amados irmãos e irmãs!
Com grande respeito e afeto vos saúdo e agradeço a vossa presença. Viemos a Assis como peregrinos à procura de paz. Trazemos connosco e colocamos diante de Deus os anseios e as angústias de muitos povos e pessoas. Temos sede de paz, temos o desejo de testemunhar a paz, temos sobretudo necessidade de rezar pela paz, porque a paz é dom de Deus e cabe a nós invocá-la, acolhê-la e construí-la cada dia com a sua ajuda.
«Felizes os pacificadores» (Mt 5, 9). Muitos de vós percorreram um longo caminho para chegar a este lugar abençoado. Sair, pôr-se a caminho, encontrar-se em conjunto, trabalhar pela paz: não são movimentos apenas físicos, mas sobretudo da alma; são respostas espirituais concretas para superar os fechamentos, abrindo-se a Deus e aos irmãos. É Deus que no-lo pede, exortando-nos a enfrentar a grande doença do nosso tempo: a indiferença. É um vírus que paralisa, torna inertes e insensíveis, um morbo que afeta o próprio centro da religiosidade produzindo um novo e tristíssimo paganismo: o paganismo da indiferença.
Não podemos ficar indiferentes. Hoje o mundo tem uma sede ardente de paz. Em muitos países, sofre-se por guerras, tantas vezes esquecidas, mas sempre causa de sofrimento e pobreza. Em Lesbos, com o querido Irmão e Patriarca Ecuménico Bartolomeu, vimos nos olhos dos refugiados o sofrimento da guerra, a angústia de povos sedentos de paz. Penso em famílias, cuja vida foi transtornada; nas crianças, que na vida só conheceram violência; nos idosos, forçados a deixar as suas terras: todos eles têm uma grande sede de paz. Não queremos que estas tragédias caiam no esquecimento. Desejamos dar voz em conjunto a quantos sofrem, a quantos se encontram sem voz e sem escuta. Eles sabem bem – muitas vezes melhor do que os poderosos – que não há qualquer amanhã na guerra e que a violência das armas destrói a alegria da vida.
Nós não temos armas; mas acreditamos na força mansa e humilde da oração. Neste dia, a sede de paz fez-se imploração a Deus, para que cessem guerras, terrorismo e violências. A paz que invocamos, a partir de Assis, não é um simples protesto contra a guerra, nem é sequer «o resultado de negociações, de compromissos políticos ou de acordos económicos, mas o resultado da oração» [João Paulo II, Discurso, Basílica de Santa Maria dos Anjos, 27 de outubro de 1986, 1: Insegnamenti IX/2 (1986), 1252]. Procuramos em Deus, fonte da comunhão, a água cristalina da paz, de que está sedenta a humanidade: essa água não pode brotar dos desertos do orgulho e dos interesses de parte, das terras áridas do lucro a todo o custo e do comércio das armas.
Diversas são as nossas tradições religiosas. Mas, para nós, a diferença não é motivo de conflito, de polémica ou de frio distanciamento. Hoje não rezamos uns contra os outros, como às vezes infelizmente sucedeu na História. Ao contrário, sem sincretismos nem relativismos, rezamos uns ao lado dos outros, uns pelos outros. São João Paulo II disse neste mesmo lugar: «Talvez nunca antes na história da humanidade, como agora, o laço intrínseco que existe entre uma atitude autenticamente religiosa e o grande bem da paz se tenha tornado evidente a todos» (Discurso, Praça inferior da Basílica de São Francisco, 27 de outubro de 1986, 6: o. c., 1268). Continuando o caminho iniciado há trinta anos em Assis, onde permanece viva a memória daquele homem de Deus e de paz que foi São Francisco, «uma vez mais nós, aqui reunidos, afirmamos que quem recorre à religião para fomentar a violência contradiz a sua inspiração mais autêntica e profunda» [João Paulo II, Discurso aos Representantes das Religiões, Assis, 24 de janeiro de 2002, 4: Insegnamenti XXV/1 (2002), 104], que qualquer forma de violência não representa «a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição» [Bento XVI, Intervenção na jornada de reflexão, diálogo e oração pela paz e a justiça no mundo, Assis, 27 de outubro de 2011: Insegnamenti VII/2 (2011), 512]. Não nos cansamos de repetir que o nome de Deus nunca pode justificar a violência. Só a paz é santa; não a guerra!
Hoje imploramos o santo dom da paz. Rezamos para que as consciências se mobilizem para defender a sacralidade da vida humana, promover a paz entre os povos e salvaguardar a criação, nossa casa comum. A oração e a colaboração concreta ajudam a não ficar bloqueados nas lógicas do conflito e a rejeitar as atitudes rebeldes de quem sabe apenas protestar e irar-se. A oração e a vontade de colaborar comprometem a uma paz verdadeira, não ilusória: não a tranquilidade de quem esquiva as dificuldades e vira a cara para o lado, se os seus interesses não forem afetados; não o cinismo de quem se lava as mãos dos problemas alheios; não a abordagem virtual de quem julga tudo e todos no teclado dum computador, sem abrir os olhos às necessidades dos irmãos nem sujar as mãos em prol de quem passa necessidade. A nossa estrada é mergulhar nas situações e dar o primeiro lugar aos que sofrem; assumir os conflitos e saná-los a partir de dentro; percorrer com coerência caminhos de bem, recusando os atalhos do mal; empreender pacientemente, com a ajuda de Deus e a boa vontade, processos de paz.
Paz, um fio de esperança que liga a terra ao céu, uma palavra tão simples e ao mesmo tempo tão difícil. Paz quer dizer Perdão que, fruto da conversão e da oração, nasce de dentro e, em nome de Deus, torna possível curar as feridas do passado. Paz significa Acolhimento, disponibilidade para o diálogo, superação dos fechamentos, que não são estratégias de segurança, mas pontes sobre o vazio. Paz quer dizer Colaboração, intercâmbio vivo e concreto com o outro, que constitui um dom e não um problema, um irmão com quem tentar construir um mundo melhor. Paz significa Educação: uma chamada a aprender todos os dias a arte difícil da comunhão, a adquirir a cultura do encontro, purificando a consciência de qualquer tentação de violência e rigidez, contrárias ao nome de Deus e à dignidade do ser humano.
Nós aqui, juntos e em paz, cremos e esperamos num mundo fraterno. Desejamos que homens e mulheres de religiões diferentes se reúnam e criem concórdia em todo o lado, especialmente onde há conflitos. O nosso futuro é viver juntos. Por isso, somos chamados a libertar-nos dos fardos pesados da desconfiança, dos fundamentalismos e do ódio. Que os crentes sejam artesãos de paz na invocação a Deus e na ação em prol do ser humano! E nós, como Chefes religiosos, temos a obrigação de ser pontes sólidas de diálogo, mediadores criativos de paz. Dirigimo-nos também àqueles que detêm a responsabilidade mais alta no serviço dos povos, aos líderes das nações, pedindo-lhes que não se cansem de procurar e promover caminhos de paz, olhando para além dos interesses de parte e do momento: não caiam no vazio o apelo de Deus às consciências, o grito de paz dos pobres e os anseios bons das gerações jovens. Aqui, há trinta anos, São João Paulo II disse: «A paz é um canteiro de obras aberto a todos e não só aos especialistas, aos sábios e aos estrategistas. A paz é uma responsabilidade universal» (Discurso, Praça inferior da Basílica de São Francisco, 27 de outubro de 1986, 7: o. c., 1269). Assumamos esta responsabilidade, reafirmemos hoje o nosso sim a ser, juntos, construtores da paz que Deus quer e de que a humanidade está sedenta.
(Assis – Praça de São Francisco, 20 de setembro de 2016)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2016/09/20/papa_em_assis_crentes_sejam_art%C3%ADfices_d_paz_texto_integral/1259570