terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Papa: santa vergonha vença a tentação da ambição, mesmo na Igreja


Que o Senhor nos dê a graça da ‘santa vergonha’ diante da tentação da ambição que envolve todos, inclusive os bispos e as paróquias. Foi a exortação do Papa na homilia da missa matutina da terça-feira (21/02), na Casa Santa Marta.
Francisco recordou que quem quer ser o primeiro, seja o último e o servidor de todos.
“Todos seremos tentados”: é o ponto de partida da homilia, inspirada nas leituras do dia. A primeira lembra que quem quer servir o Senhor se deve preparar para a tentação. Já o Evangelho fala de Jesus quando anuncia aos discípulos a sua morte, eles não entendem e têm medo de interrogá-lo. “Esta é a tentação de não cumprir a missão”, disse o Papa. “Jesus também foi tentado: no deserto, três vezes pelo diabo, e depois por Pedro, perante o anúncio da sua morte.
Mas há outra tentação narrada no Evangelho: os discípulos discutem sobre quem deles é o maior e se calam quando Jesus os interpela sobre o motivo da discussão. Calam-se porque se envergonham:
“Mas eram pessoas boas, que queriam seguir o Senhor, servir o Senhor, mas não sabiam que o caminho do serviço ao Senhor não era assim tão fácil, não era como filiar-se numa organização, numa associação de beneficência, para fazer o bem. Não, é outra coisa. Eles temiam isso. E depois, a tentação da mundanidade: desde o momento que a Igreja é Igreja e até hoje isto aconteceu, acontece e acontecerá. Por exemplo, as lutas nas paróquias. ‘Eu quero ser presidente desta associação, quero me promover um pouco’. Quem é o maior, aqui? Quem é o maior nesta paróquia? Não, eu sou mais importante do que ele; aquele não porque fez aquilo... e assim por diante... a corrente dos pecados”.
A tentação que leva a ‘falar mal do outro’ e a ‘se promover’... Francisco fez outros exemplos concretos para explicar esta tentação:
“Algumas vezes nós, padres, dizemos com vergonha, nos presbitérios: ‘Eu gostaria daquela paróquia... Eu queria aquela...’. É o mesmo: este não é o caminho do Senhor, mas o caminho da vaidade, da mundanidade. Inclusive entre nós, bispos, acontece o mesmo: a mundanidade chega como tentação. Muitas vezes ‘Eu estou nesta diocese mas estou de olhos naquela, porque é mais importante, e articulo buscando influências, faço pressão, empurro neste ponto para chegar lá’. ‘Mas o Senhor está lá’. O desejo de ser mais importante nos leva ao caminho da mundanidade.
O Papa exortou a pedir sempre ao Senhor ‘a graça de nos envergonharmos’ quando nos encontrarmos nestas situações:
Jesus inverte aquela lógica. Sentado entre eles, lhes recorda que ‘quem de vós quer ser o primeiro, seja o último e o servidor de todos’. E pega um menino e o coloca no meio deles.
O Papa pediu para rezar pela Igreja, ‘por todos nós’, para que o Senhor nos defenda ‘das ambições, da mundanidade e de nos sentirmos maiores do que os outros’:
“Que o Senhor nos dê a graça da vergonha, aquela santa vergonha, quando nos encontrarmos nesta situação, diante da tentação. ‘Sou capaz de pensar assim? Quando vejo o meu Senhor na cruz e quero usar o Senhor para me promover? E nos dê a graça da simplicidade de uma criança: entender que somente o caminho do serviço... E ainda, imagino ainda outra pergunta: ‘Senhor, eu te servi toda a vida, fui o último toda a vida. E agora, o que nos diz o Senhor?’. ‘Diga de você mesmo: ‘sou um servo inútil’. (BS/CM)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/02/21/santa_vergonha_ven%C3%A7a_a_tenta%C3%A7%C3%A3o_da_ambi%C3%A7%C3%A3o,_mesmo_na_igreja/1293936

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Papa: o Senhor nos dê a graça de dizer "acabou a guerra no mundo"


O primeiro compromisso do Papa nesta quinta-feira foi a celebração da Missa na capela da Casa Santa Marta. Na sua homilia, o Pontífice deu destaque ao sofrimento de tantos povos castigados pelas guerras promovidas pelos poderosos e pelos traficantes de armas.
De modo especial, falou de três imagens presentes na Primeira Leitura, extraída do Livro do Génesis: a pomba, o arco-íris e a aliança.
“A aliança que Deus faz é forte – comentou – mas como nós a recebemos e a aceitamos é com fraqueza. Deus faz a paz connosco, mas não é fácil preservá-la”. “É um trabalho de todos os dias, porque dentro de nós ainda existe aquela semente, aquele pecado original, o espírito de Caim que por inveja, ciúme, cobiça e desejo de dominação faz a guerra”. Francisco observou que, falando da aliança entre Deus e os homens, se faz referência ao “sangue”: “pedirei contas do vosso sangue, que é vida, a qualquer animal. E ao homem pedirei contas da vida do homem, seu irmão”. Nós, portanto, “somos custódios dos irmãos e quando há derramamento de sangue, há pecado e Deus nos pedirá contas”:
“Hoje no mundo há derramamento de sangue. Hoje o mundo está em guerra. Muitos irmãos e irmãs morrem, inclusive inocentes, porque os grandes e os poderosos querem um pedaço a mais de terra, querem um pouco mais de poder ou querem ter um pouco mais de lucro com o tráfico de armas. E a Palavra do Senhor é clara: ‘pedirei contas do vosso sangue, que é vida, a qualquer animal. E ao homem pedirei contas da vida do homem, seu irmão’. Também a nós, que parecemos estar em paz aqui, o Senhor pedirá contas do sangue dos nossos irmãos e irmãs que sofrem a guerra”.
Custodiar a paz, a declaração de guerra começa em cada um de nós
“Como proteger a pomba? Pergunta-se Francisco; “O que faço para que o arco-íris seja sempre um guia? O que faço para que não seja mais derramado sangue no mundo?”. Todos nós, reiterou, estamos envolvidos nisto. A oração pela paz não é uma formalidade, o trabalho pela paz não é uma formalidade. E relevou com amargura que a guerra começa no coração do homem, começa nas casas, nas famílias, entre amigos, e depois vai além, a todo o mundo. “O que faço, eu, quanto sinto no meu coração ‘algo que quer destruir a paz’?”
“A guerra começa aqui e termina lá. Vemos as notícias nos jornais e na TV... Hoje, muita gente morre e a semente de guerra que gera inveja, provoca ciúmes, a cobiça no meu coração é a mesma coisa do que a bomba que cai num hospital, numa escola, matando crianças - é o mesmo. A declaração de guerra começa aqui, em cada um de nós. Por isso, pergunto: “Como custodiar a paz em meu coração, em meu íntimo, na minha família?”. Custodiar a paz, mas não só: fazê-la com as mãos, todos os dias. E assim conseguiremos fazê-la no mundo inteiro”.
A recordação do fim da guerra na lembrança do menino
“O sangue de Cristo – evidenciou – é o que faz a paz, mas não o sangue que eu faço com o meu irmão” ou “o que fazem os traficantes de armas ou os poderosos da terra nas grandes guerras”. Francisco relatou um episódio pessoal, de quando era criança, sobre a paz:
“Recordo quando começou a tocar o alarme dos Bombeiros, depois nos jornais e na cidade... Isto se fazia para atrair a atenção para um facto ou uma tragédia, ou outra coisa. E logo ouvi a vizinha de casa chamar minha mãe: ‘Senhora Regina, venha, venha!’ E minha mãe saiu, assustada: ‘O que aconteceu?’ E a mulher, do outro lado do jardim, disse: ‘A guerra acabou!’, chorando.
Francisco recordou o abraço das duas mulheres, o pranto e a alegria porque a guerra havia terminado. “Que o Senhor – concluiu – nos dê a graça de poder dizer: ‘Terminou a guerra’ e chorando. ‘Acabou a guerra no meu coração, acabou a guerra na minha família, acabou a guerra no meu bairro, acabou a guerra no meu trabalho, acabou a guerra no mundo’. Assim serão mais fortes a pomba, o arco-íris e a aliança”.
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/02/16/papa_deus_nos_d%C3%AA_a_gra%C3%A7a_de_dizer_acabou_a_guerra_no_mundo/1292967

Papa aos Clérigos Marianos: serviço a Cristo e à Igreja com sentido de memória


O Papa Francisco recebeu em audiência neste sábado (18/02), na Sala do Consistório do Vaticano, cerca de 40 participantes no Capítulo Geral dos Clérigos Marianos da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria, reunidos em Roma para reflectir sobre as leis e estatutos da Congregação.
No seu discurso o Papa elogiou a iniciativa pois hoje, disse, é urgente para cada Instituto a necessidade de uma renovada referência à Regra, porque nela e nas Constituições se encontra todo um itinerário de sequela, qualificado por um carisma específico autenticado pela Igreja. E Francisco exortou-os, portanto, a fazer tal reflexão com fidelidade ao carisma do Fundador e ao património espiritual da Congregação, tendo ao mesmo tempo o coração e a mente abertos às novas necessidades da gente, mas sempre com elevado sentido da memória:
“É verdade que devemos seguir em frente com as novas necessidades, os novos desafios, mas recordai-vos: não se pode ir para frente sem memória; é uma tensão, continuamente, se eu quero ir para frente sem a memória do passado, da história, dos fundadores, dos grandes, e também dos pecados da Congregação, não poderei ir para frente – esta é uma regra, a memória”:
O exemplo de Santo Estanislau de Jesus e Maria, que havia entendido plenamente o sentido de ser discípulo de Cristo, seja luz e guia no vosso caminho, disse Francisco, que acrescentou:
“O testemunho cristão requer também o compromisso com e para os pobres, um empenho que caracteriza o vosso Instituto desde o início. Encorajo-vos a manter viva esta tradição de serviço às pessoas pobres e humildes, através do anúncio do Evangelho com linguagem a eles compreensível, com as obras de misericórdia e o sufrágio dos defuntos”.
E o Papa falou também de uma outra importante herança espiritual dos Clérigos Marianos: aquela deixada pelo Beato George Matulaitis, que viveu na total dedicação à Igreja e ao homem para "ir corajosamente – como dizia - trabalhar e lutar pela Igreja, especialmente onde for mais necessário". Que a sua intercessão vos ajude a cultivar em vós esta atitude, que nas últimas décadas tem inspirado as vossas iniciativas para difundir o carisma do Instituto nos Países pobres, especialmente em África e na Ásia, ressaltou Francisco:
“O grande desafio da inculturação pede-vos hoje para anunciar a Boa Nova em linguagens e modos compreensíveis aos homens do nosso tempo, envolvidos em processos de rápida transformação social e cultural. A vossa Congregação tem uma longa história, escrita por corajosas testemunhas de Cristo e do Evangelho. Seguindo estas pistas sois hoje chamados caminhar com renovado zelo para trilhardes, com liberdade profética e são discernimento, novas estradas apostólicas e fronteiras missionárias, cultivando uma estreita colaboração com os Bispos e os outros componentes da Comunidade eclesial”.
Na verdade, muitos esperam ainda conhecer Jesus, único Redentor do homem, e não poucas situações de injustiça e mal-estar moral interpelam hoje os crentes, observou Francisco, acrescentando que esta urgente missão requer conversão pessoal e comunitária. Somente corações totalmente abertos à acção da graça serão capazes de interpretar os sinais dos tempos e acolher os apelos da humanidade sedenta de esperança e paz – rematou Francisco.
A terminar o Papa exortou os Clérigos Marianos a serem corajosos seguindo o exemplo do fundador no serviço a Cristo e à Igreja, respondendo aos novos desafios e às novas missões, mesmo que humanamente possam parecer arriscadas.
À vossa Mãe e Padroeira, Maria Imaculada, confio o vosso caminho de fé e crescimento, em constante união com Cristo e o seu Espírito Santo, que faz de vós testemunhas da ressurreição – concluiu Francisco – concedendo cordialmente aos presentes, a toda a Congregação e seus colaboradores leigos,  a sua Bênção Apostólica.
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/02/18/papa_a_cl%C3%A9rigos_marianos_servir_cristo_e_igreja_com_mem%C3%B3ria/1293418

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Papa: o Senhor nos dê a graça de dizer "acabou a guerra no mundo"


O primeiro compromisso do Papa nesta quinta-feira foi a celebração da Missa na capela da Casa Santa Marta. Na sua homilia, o Pontífice deu destaque ao sofrimento de tantos povos castigados pelas guerras promovidas pelos poderosos e pelos traficantes de armas.
De modo especial, falou de três imagens presentes na Primeira Leitura, extraída do Livro do Génesis: a pomba, o arco-íris e a aliança.
“A aliança que Deus faz é forte – comentou – mas como nós a recebemos e a aceitamos é com fraqueza. Deus faz a paz connosco, mas não é fácil preservá-la”. “É um trabalho de todos os dias, porque dentro de nós ainda existe aquela semente, aquele pecado original, o espírito de Caim que por inveja, ciúme, cobiça e desejo de dominação faz a guerra”. Francisco observou que, falando da aliança entre Deus e os homens, se faz referência ao “sangue”: “pedirei contas do vosso sangue, que é vida, a qualquer animal. E ao homem pedirei contas da vida do homem, seu irmão”. Nós, portanto, “somos custódios dos irmãos e quando há derramamento de sangue, há pecado e Deus nos pedirá contas”:
“Hoje no mundo há derramamento de sangue. Hoje o mundo está em guerra. Muitos irmãos e irmãs morrem, inclusive inocentes, porque os grandes e os poderosos querem um pedaço a mais de terra, querem um pouco mais de poder ou querem ter um pouco mais de lucro com o tráfico de armas. E a Palavra do Senhor é clara: ‘pedirei contas do vosso sangue, que é vida, a qualquer animal. E ao homem pedirei contas da vida do homem, seu irmão’. Também a nós, que parecemos estar em paz aqui, o Senhor pedirá contas do sangue dos nossos irmãos e irmãs que sofrem a guerra”.
Custodiar a paz, a declaração de guerra começa em cada um de nós
“Como proteger a pomba? Pergunta-se Francisco; “O que faço para que o arco-íris seja sempre um guia? O que faço para que não seja mais derramado sangue no mundo?”. Todos nós, reiterou, estamos envolvidos nisto. A oração pela paz não é uma formalidade, o trabalho pela paz não é uma formalidade. E relevou com amargura que a guerra começa no coração do homem, começa nas casas, nas famílias, entre amigos, e depois vai além, a todo o mundo. “O que faço, eu, quanto sinto no meu coração ‘algo que quer destruir a paz’?”
“A guerra começa aqui e termina lá. Vemos as notícias nos jornais e na TV... Hoje, muita gente morre e a semente de guerra que gera inveja, provoca ciúmes, a cobiça no meu coração é a mesma coisa do que a bomba que cai num hospital, numa escola, matando crianças - é o mesmo. A declaração de guerra começa aqui, em cada um de nós. Por isso, pergunto: “Como custodiar a paz em meu coração, em meu íntimo, na minha família?”. Custodiar a paz, mas não só: fazê-la com as mãos, todos os dias. E assim conseguiremos fazê-la no mundo inteiro”.
A recordação do fim da guerra na lembrança do menino
“O sangue de Cristo – evidenciou – é o que faz a paz, mas não o sangue que eu faço com o meu irmão” ou “o que fazem os traficantes de armas ou os poderosos da terra nas grandes guerras”. Francisco relatou um episódio pessoal, de quando era criança, sobre a paz:
“Recordo quando começou a tocar o alarme dos Bombeiros, depois nos jornais e na cidade... Isto se fazia para atrair a atenção para um facto ou uma tragédia, ou outra coisa. E logo ouvi a vizinha de casa chamar minha mãe: ‘Senhora Regina, venha, venha!’ E minha mãe saiu, assustada: ‘O que aconteceu?’ E a mulher, do outro lado do jardim, disse: ‘A guerra acabou!’, chorando.
Francisco recordou o abraço das duas mulheres, o pranto e a alegria porque a guerra havia terminado. “Que o Senhor – concluiu – nos dê a graça de poder dizer: ‘Terminou a guerra’ e chorando. ‘Acabou a guerra no meu coração, acabou a guerra na minha família, acabou a guerra no meu bairro, acabou a guerra no meu trabalho, acabou a guerra no mundo’. Assim serão mais fortes a pomba, o arco-íris e a aliança”.
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/02/16/papa_deus_nos_d%C3%AA_a_gra%C3%A7a_de_dizer_acabou_a_guerra_no_mundo/1292967

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Papa: a esperança cristã não exclui nem marginaliza ninguém


Quarta-feira, 15 de fevereiro: audiência com Papa Francisco na Sala Paulo VI. Na sua catequese o Papa, partindo da epístola aos Romanos, repropôs o tema da esperança cristã, uma esperança sólida e que não decepciona, disse,  porque baseada no amor de Deus por nós.
Desde a infância, observou o Papa, nos é ensinado que não é coisa boa se vangloriar, por aquilo que se é ou se tem, pois isso indicaria certo orgulho e é também falta de respeito para com os outros, especialmente os que são menos afortunados do que nós. Mas o apóstolo Paulo nos surpreende exortando-nos por duas vezes a nos vangloriarmos. De que, então, é justo vangloriar-se, e como é possível fazer isso sem ofender os outros, sem excluir alguém, se perguntou Francisco.
Somos convidados a nos vangloriarmos, antes de tudo,  da abundância da graça de que fomos imbuídos em Jesus Cristo, por meio da fé – explicou o Papa:
“Paulo quer fazer-nos entender que, se aprendemos a ler tudo com a luz do Espírito Santo, percebemos que tudo é graça, tudo é dom! Se prestarmos atenção, de facto, quem age - na história, como na nossa vida - não somos apenas nós, mas é Deus antes de tudo. É Ele o protagonista absoluto, que cria tudo como um dom de amor, que tece a trama do seu plano de salvação, e que o leva a cumprimento por nós, mediante o seu Filho, Jesus”.
Nós temos apenas – prosseguiu o Papa - de reconhecer e acolher com gratidão este dom e fazer que se torne motivo de louvor, bênção e grande alegria. Se fizermos isso, estamos em paz com Deus e experimentamos enorme liberdade, estamos em paz connosco, estamos em paz na família, na nossa comunidade, no trabalho e com as pessoas que encontramos todos os dias no nosso caminho.
Mais difícil de perceber, para nós, disse ainda Francisco, quando Paulo nos exorta a nos vangloriarmos também nas tribulações mas, na verdade, a paz que o Senhor nos oferece e garante não deve ser entendida como ausência de preocupações, decepções, fracassos, ou quaisquer motivos de sofrimento – é uma paz que nos vem da fé, porque se assim não fosse, uma vez conseguida essa paz, aquele momento acabaria bem depressa e cairíamos inevitavelmente no desconforto, reiterou Francisco:
“Mas a paz que vem da fé é pelo contrário um dom: é a graça de experimentarmos que Deus nos ama e que está sempre ao nosso lado, não nos deixa sozinhos nem um só momento da nossa vida. E isto, como diz o Apóstolo, gera a paciência, porque sabemos que, mesmo nos momentos mais difíceis e devastadores, a misericórdia e a bondade do Senhor são maiores de todas as coisas e nada nos vai arrancar de suas mãos e da comunhão com Ele”.
Eis porque a esperança cristã é sólida, eis porque ela não decepciona – sublinhou o Papa – porque não se funda naquilo que nós podemos fazer ou ser, e nem naquilo em que nós podemos acreditar,  o seu fundamento é aquilo que de mais fiel e seguro possa existir, ou seja, o amor que o próprio Deus nutre  para cada um de nós:
“É fácil dizer que Deus nos ama, mas pode cada um de nós dizer “estou seguro, estou segura que Deus me ama”? Não é assim tão fácil … Mas é verdade. É um bom exercício dizer a si próprio: “Deus me ama!”, e esta é a raiz da nossa segurança, a raiz da esperança”.
E o Senhor derramou abundantemente nos nossos corações o seu Espírito como artífice e garante, para que possa alimentar em nós a fé e manter viva esta esperança de que Deus me ama: neste momento mau, Deus me ama; e a mim que fiz esta coisa má, Deus me ama – disse o Papa Francisco, convidando a todos a repetir como oração “Deus me ama, eu estou seguro que Deus me ama”.
O nosso maior orgulho é, pois, termos como Pai um Deus que não faz preferências, que não exclui ninguém, mas que abre a sua casa para todos os seres humanos, começando pelos últimos e distantes, para que, como seus filhos, aprendemos a consolar-nos e apoiar-nos  uns aos outros – concluiu Francisco.
Nas saudações o Santo Padre dirigiu-se aos fiéis de língua portuguesa com estas palavras:
“Saúdo os peregrinos de língua portuguesa presentes nesta Audiência. Possa este encontro, que nos faz sentir membros da única família dos filhos de Deus, renovar a vossa esperança no Deus misericordioso que não exclui ninguém e nos convida a ser testemunhas do seu amor sobretudo para com os mais necessitados. Obrigado”.
Uma saudação especial  foi também aos jovens, os doentes e os recém-casados: recordando a festa – celebrada ontem - dos Santos Cirilo e Metódio, evangelizadores dos povos eslavos e co-padroeiros da Europa, Francisco auspiciou que o seu exemplo ajude em particular aos jovens a se tornarem em cada ambiente discípulos missionários; a sua tenacidade encoraje os doentes a oferecer os seus sofrimentos pela conversão dos distantes; e o seu amor pelo Senhor ilumine os esposos recém-casados, para colocarem  o Evangelho como regra fundamental da sua vida familiar.
O Papa Francisco a todos deu a sua bênção.
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/02/15/papa_a_esperan%C3%A7a_crist%C3%A3_n%C3%A3o_exclui_nem_marginaliza_ningu%C3%A9m/1292717

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Papa: Cirilo e Metódio arautos do Evangelho com coragem, oração e humildade


Coragem, oração e humildade: estes são os traços que caracterizam os grandes “arautos” que ajudaram a Igreja a crescer no mundo, que contribuíram à sua missionariedade. Foi o que disse o Papa na missa celebrada na manhã de terça-feira (14/02) na capela da Casa Santa Marta.
Precisamos de “semeadores de Palavra”, de “missionários, de verdadeiros arautos” para formar o povo de Deus, como foram Cirilo e Metódio, “irmãos intrépidos e testemunhas de Deus que fizeram da Europa mais forte", padroeiros do continente. Na homilia, o Papa indicou as três características da personalidade de um “enviado” que proclama a Palavra de Deus, inspirando-se no Evangelho de Lucas que a liturgia propõe.
A primeira característica é a “franqueza”, que inclui força e coragem:
“A Palavra de Deus não pode ser levada como uma proposta – “bom, se você gostar...” – ou como uma ideia filosófica ou moral, boa – “você pode viver assim …” … Não. É outra coisa. Precisa ser proposta com esta franqueza, com aquela força, para que a Palavra penetre, como diz o próprio Paulo, até os ossos. A Palavra de Deus deve ser anunciada com esta franqueza, com esta força … com coragem. A pessoa que não tem coragem – coragem espiritual, coragem no coração, que não está apaixonada por Jesus, e dali vem a coragem! – não, dirá, sim, algo de interessante, algo moral, algo que fará bem, um bem filantrópico, mas não tem a Palavra de Deus. E esta palavra é incapaz de formar o povo de Deus. Somente a Palavra de Deus proclamada com esta franqueza, com esta coragem, é capaz de formar o povo de Deus”.
Do capítulo décimo do Evangelho de Lucas foram extraídas outras duas características próprias de um arauto da Palavra de Deus. Um Evangelho “um pouco estranho”, afirmou o Papa, porque rico de elementos acerca do anúncio. “A messe é abundante, mas são poucos os operários. Rezai portanto ao Senhor da messe para que mande operários para a sua messe”, repetiu Francisco, e é assim, portanto, que depois da coragem está a “oração”:
“A Palavra de Deus deve ser proclamada com oração também, sempre. Sem oração, se pode fazer uma bela conferência, uma bela palestra: boa, boa; mas não é a Palavra de Deus. Somente de um coração em oração pode sair a Palavra de Deus. A oração, para que o Senhor acompanhe este ‘semear’ a Palavra, para que o Senhor regue a semente e ela brote, a Palavra. A Palavra de Deus deve ser proclamada com oração: a oração daquilo que anuncia a palavra de Deus”.
No Evangelho consta também um terceiro ‘trecho interessante’. O Senhor envia os discípulos “como cordeiros no meio de lobos”:
“O verdadeiro pregador é o que sabe ser fraco, sabe que não se pode defender sozinho. ‘Tu vais como cordeiro no meio de lobos’. ‘Mas, Senhor, para que eles me comam?’. ‘Tu, vais, é este o caminho’. E creio que o Crisóstomo faz uma reflexão muito profunda quando diz: “Se tu não fores como cordeiro, mas como lobo entre os lobos, o Senhor não te protegerá: defende-te sozinho”. Quando o pregador se acha muito inteligente ou quando quem tem responsabilidade de levar adiante a Palavra de Deus e quer dar uma de esperto... ‘Ah, eu sei me sair com esta gente!’, ele termina mal. Negociará com a Palavra de Deus: aos poderosos, aos soberbos...”.
E para ressaltar a humildade dos grandes arautos, Francisco cita um episódio que lhe contaram de um sacerdote que “se vangloriava de pregar bem a Palavra de Deus e se sentia um lobo”: depois de uma bela pregação – recorda o Papa, foi ao confessionário e encontrou um grande pecador que chorava... queria pedir perdão”. Este confessor – prossegue Francisco – ‘começou a encher-se de vaidade e a curiosidade o levou a perguntar qual era a Palavra que o havia tocado ao ponto de leva-lo ao arrependimento. “Foi quando o senhor disse ‘mudemos de assunto’. “Não sei se é verdade” – esclareceu o Papa – “mas isto confirma que se acaba sempre mal quando a Palavra de Deus é usada ‘sentindo-se seguros de si’ e não como cordeiros, que o Senhor defenderá”.
“Esta é a missionariedade da Igreja; e os grandes arautos, “que semearam e ajudaram a crescer as Igrejas no mundo, foram homens corajosos, de oração e humildes”. A oração final é para que os Santos Cirilo e Metódio nos ajudem a proclamar a Palavra de Deus assim como eles o fizeram”, concluiu o Pontífice. (BS)
Fonte!http://pt.radiovaticana.va/news/2017/02/14/cirilo_e_met%C3%B3dio_arautos_do_evangelho_com_coragem_e_ora%C3%A7%C3%A3o/1292508

Fátima: foi apresentado logotipo da visita do Papa Francisco


Foi apresentado o logotipo da vigem do Papa Francisco a Fátima, Portugal, programada para 12 e 13 de maio próximo. O emblema estará disponível em vários suportes e no cartaz oficial da visita papal.
Em declarações aos jornalistas, o Reitor do Santuário de Fátima, Pe. Carlos Cabecinhas, coordenador geral da visita do Papa, frisou que a nova imagem gráfica pretende retratar o "estilo de simplicidade e clareza" que caracteriza o Papa Francisco.
O logotipo, desenhado por Francisco Providência, apresenta o desenho de um coração, feito com as contas do rosário, rematadas por uma cruz. Dentro do coração está escrito: “Papa Francisco - Fátima 2017”. Abaixo do coração, do lado de fora, se encontra o lema da visita papal “Com Maria, Peregrino na Esperança e na Paz” e o logótipo das comemorações do centenário das aparições.
À nova imagem gráfica surge associada, no cartaz, uma fotografia do Papa Francisco com um sorriso, acenando com a mão esquerda.
“Procurámos valorizar a proximidade física e simpática do Papa, que, sorridente, acena com a mão num gesto de saudação e bênção”, refere o autor da imagem, Francisco Providência.
Esta imagem irá acompanhar toda a comunicação da visita do Papa, tanto no site quanto nas redes sociais.
(BS/MJ/Santuário de Fátima)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/02/14/f%C3%A1tima_foi_apresentado_logotipo_da_visita_do_papa_francisco/1292359