segunda-feira, 24 de abril de 2017

Papa na Ilha Tiberina recorda os “novos mártires” e o drama dos refugiados


A comunidade romana de Santo Egídio acolheu o Papa Francisco na tarde de sábado (22/04) na Basílica de S. Bartolomeu, na ilha Tiberina, no centro histórico de Roma.
O Pontífice presidiu à Liturgia da Palavra em memória dos novos mártires “assassinados pelas insanas ideologias do século passado ou só porque discípulos de Jesus”, como disse o Papa em sua homilia.
“A lembrança dessas heróicas testemunhas antigas e recentes nos confirmam a consciência de que a Igreja é Igreja de mártires. Tiveram a graça de confessar Jesus até o fim, até a morte. Eles sofrem, dão a vida, e nós recebemos a bênção de Deus por seu testemunho”, disse o Papa, citando ainda os muitos “mártires escondidos”: homens e mulheres que na vida cotidiana tentam ajudar os irmãos e amar a Deus sem reservas.
O ódio do príncipe do mundo: a origem da perseguição
O Papa falou ainda da causa de toda perseguição, isto é, o “ódio do príncipe deste mundo”. E a origem do ódio é esta: porque fomos salvos por Jesus, ele nos odeia e suscita a perseguição que, desde os tempos de Jesus, continua até o nossos dias.
Em momentos difíceis da história, prosseguiu Francisco, se diz que a pátria necessita de heróis. Já a Igreja necessita de mártires, de testemunhas, dos santos de todos os dias que testemunham Jesus com a coerência de vida e daqueles que O testemunham até a morte. “Todos eles são o sangue vivo Igreja.”
Campos de refugiados: campos de concentração
Deixando o texto de lado, o Papa afirmou que gostaria de acrescentar um ícone nesta Basílica: a de uma mulher que ele não conhece o nome, mas de quem conheceu a história quando visitou a ilha grega de Lesbos.
No campo de acolhimento de refugiados, o Pontífice cumprimentou um homem de cerca 30 anos, muçulmano casado com uma cristã e pai de três filhos, que viu a mulher ser degolada por se recusar a tirar o crucifixo diante dos terroristas. “Nós nos amávamos tanto”, disse sem rancor o muçulmano ao Papa. “Este ícone eu trago hoje como presente”, afirmou Francisco.
“Não sei se aquele homem conseguiu sair daquele campo de concentração”, assim definiu o Papa o local devido à quantidade de pessoas. “Aprecio o empenho de acolhimento de alguns povos generosos, mas parece que os acordos internacionais são mais importantes do que os direitos humanos.”
O amor permite lutar contra a prepotência
“A herança viva dos mártires doa hoje a nós paz e unidade. Eles nos ensinam que, com a força do amor, com a mansidão, se pode lutar contra a prepotência, a violência, a guerra e se pode realizar a paz com paciência. E então podemos assim rezar: Ó Senhor, torne-nos dignas testemunhas do Evangelho e do seu amor; efunde a sua misericórdia sobre a humanidade; renove a sua Igreja, proteja os cristãos perseguidos, conceda em breve a paz ao mundo inteiro.”
Testemunhos
No decorrer da celebração, os participantes ouviram o testemunho de parentes e amigos de três mártires cuja memória está preservada na Basílica: Karl Schneider, pastor da Igreja Reformada assassinado em 1939 no campo de Buchenwald; Roselyne, irmã do padre Jacques Hamel, assassinado ao final da missa em Rouen, na França, em 26 de julho do ano passado num atentado terrorista; e Francisco Hernandez Guevara, amigo de William Quijano, um jovem da comunidade de Santo Egídio de El Salvador, assassinado em setembro de 2009 por seu trabalho em prol da juventude. Já o fundador da comunidade de Santo Egídio, Andrea Riccardi, recordou que neste mesmo dia, quatro anos atrás, foram sequestrados em Aleppo dois bispos, de cujo paradeiro ainda não se tem notícia.
Novos mártires
Depois de sua homilia, o Papa prestou homenagem nas seis capelas laterais da Basílica que mantêm as relíquias dos mártires da Europa, África, América, Ásia. Velas foram acesas para acompanhar cada oração que foi pronunciada em memória das testemunhas da fé do século XX até os nossos dias: foram lembrados os armênios, os cristãos massacrados durante a I Guerra Mundial, mártires da paz e do diálogo como os monges trapistas na Argélia, Pe. Andrea Santoro na Turquia, vítimas da máfia, como Pe. Pino Puglisi. Uma lembrança que uniu nomes mais conhecidos, como o de Dom Oscar Arnulfo Romero, ao de muitos missionários que, no mundo, deram sua vida pelo Evangelho.
Refugiados
Ao final da celebração, Francisco encontrou numa sala adjacente à Basílica um grupo de refugiados que chegou à Itália graças aos corredores humanitários, além de mulheres vítimas do tráfico humano e menores desacompanhados.
Ao cumprimentar os fiéis que o aguardavam do lado de fora da Basílica, o Papa voltou a falar do desafio migratório, recordando que fechar-se corresponde ao suicídio.
“Pensemos na crueldade que se abate sobre tantas pessoas, em tantas pessoas que chegam em embarcações e são acolhidos por países generosos, como Itália e Grécia, mas depois os tratados não deixam... Se na Itália dois migrantes fossem acolhidos por município, teria lugar para todos. Que a generosidade de Lampedusa, Sicília, Lesbos, possam contagiar a todos. Somos uma civilização que não faz filhos e mesmo assim fechamos as portas aos migrantes: isso se chama suicídio.”
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/04/23/o_papa_recorda_os_novos_m%C3%A1rtires_e_o_drama_dos_refugiados/1307525

Papa: misericórdia aquece o coração e o torna sensível aos irmãos


23 de abril de 2017, II domingo da Páscoa, Domingo da Divina Misericórdia. Antes da oração do Regina Coeli, o Papa Francisco dirigindo-se aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça de S. Pedro, falou da ressurreição do Senhor Jesus da qual todos os domingos fazemos memória, reiterando que, neste período pascal, o Domingo tem um significado ainda mais iluminador. E o Papa explicou o sentido deste domingo, que a tradição da Igreja chamava “in albis” para  recordar o rito que realizavam os que tinham recebido o baptismo na Vigília Pascal, que recebiam uma veste branca - "alba" - para indicar a nova dignidade dos filhos de Deus:
“Ainda hoje aos recém-nascidos dá-se uma pequena veste simbólica, enquanto os adultos vestem uma veste real. Aquela veste branca, no passado, era vestida por uma semana, até ao domingo in albis, quando era despida, e os neófitos iniciavam a sua nova vida em Cristo e na Igreja”.
Em seguida, Francisco recordou S. JP II que no Jubileu de 2000 estabeleceu que este domingo seja dedicado à Divina Misericórdia. A poucos meses depois do Jubileu extraordinário da Misericórdia – reiterou Francisco - este domingo convida-nos a retomar com força a graça que vem da misericórdia de Deus. Misericórdia descrita no Evangelho de hoje quando S. João narra a aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos reunidos no Cenáculo, dizendo-lhes: "Recebei o Espírito Santo. Para aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados". E o Papa explicou:
“Eis o sentido da misericórdia que se apresenta no dia da ressurreição de Jesus como perdão dos pecados. Jesus ressuscitado transmitiu à sua Igreja, como primeira tarefa, a sua própria missão de levar a todos o anúncio concreto do perdão. Este sinal visível da sua misericórdia traz consigo a paz do coração e a alegria do encontro renovado com o Senhor”.
A misericórdia, portanto, à luz da Páscoa deixa-se perceber antes de tudo como uma verdadeira forma de conhecimento do mistério que vivemos, disse ainda o Santo Padre. Existem várias formas de conhecimento, observou Francisco: pelos sentidos, a intuição, a razão e outras, mas também se pode conhecer através da experiência da misericórdia:
“Ela abre a porta da mente para compreendermos melhor o mistério de Deus e da nossa existência pessoal. Faz perceber que a violência, o ressentimento, a vingança não fazem nenhum sentido, e as primeiras vítimas são aqueles que vivem desses sentimentos, porque se privam da sua dignidade. A misericórdia também abre a porta do coração e permite exprimir a proximidade, especialmente com aqueles que estão sós e marginalizados, porque faz com que se sintam irmãos e filhos do mesmo Pai. Ela facilita o reconhecimento dos que precisam de consolação e faz encontrar  palavras adequadas para dar conforto”.
“Irmãos e irmãs, a misericórdia aquece o coração e o torna sensível às necessidades dos irmãos com a partilha e a participação. A misericórdia, enfim, empenha todos a serem instrumentos de justiça, reconciliação e paz. Nunca nos esqueçamos que a misericórdia é a chave para a vida de fé, e a forma concreta em que damos visibilidade à ressurreição de Jesus”.
E o papa invocou Maria, Mãe de Misericórdia, para que nos ajude a crer e viver tudo isso com alegria.

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Depois do Regina Coeli, o Papa recordou a beatificação, ontem em Oviedo, Espanha, do sacerdote Luis Antonio Rosa Ormières. Viveu no século XIX, dedicando as suas muitas qualidades humanas e espirituais ao serviço da educação, e para isso fundou a Congregação das Irmãs do Anjo da Guarda. O seu exemplo, disse o Papa, e a sua intercessão ajudem especialmente os que trabalham na escola e na educação.
Em seguida o Papa saudou cordialmente a todos, fiéis de Roma e peregrinos da Itália e dos vários Países do mundo, particularmente a Confraria de S. Sebastião de Kerkrade (na Holanda), o Secretariado católico da Nigéria e a paróquia de Liebfrauen de Bocholt (Alemanha).
Uma saudação particular aos peregrinos polacos, a quem Francisco exprimiu profundo apreço pela iniciativa da Caritas Polónia, em apoio de tantas famílias na Síria. E especial saudação para os devotos da Divina Misericórdia reunidos hoje na igreja de Santo Spirito in Sassia, bem como os participantes do "Corrida para a Paz": uma corrida estafeta que hoje parte da Praça de S. Pedro para chegar a Wittenberg, na Alemanha.
Por último, o Papa agradeceu a todos os que que neste período lhe enviaram mensagens de felicitações para a Páscoa, dizendo que calorosamente as retribui, invocando todos e para cada família a graça do Senhor ressuscitado.
A todos o Papa desejou um bom domingo pedindo, por favor, para que não nos esqueçamos de rezar por ele [Buon pranzo e arrivederci] – Bom almoço e até logo! 
(BS)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/04/23/papa_miseric%C3%B3rdia_aquece_o_cora%C3%A7%C3%A3o_e_o_torna_sens%C3%ADvel/1307597

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Papa na Audiencia geral: Cristo Ressuscitou dos mortos - aqui nasce a fé cristã


Como habitualmente às quartas-feiras, também hoje o Papa Francisco teve a sua catequese geral na Praça de São Pedro. E como era de esperar falou de Cristo Ressuscitado tal como é apresentada na primeira Carta de São Paulo aos Coríntios. O cristianismo – disse Francisco – nasce com a Ressurreição de Cristo e “não é uma ideologia, não é um sistema filosófico, mas sim um caminho de fé que parte de uma acontecimento, testemunhado pelos primeiros discípulos de Jesus”.
Se Cristo não tivesse ressuscitado teríamos nele um exemplo de dedicação suprema, mas isto não poderia gerar a nossa fé. A fé nasce da Ressurreição – insistiu o Papa. Aceitar que Cristo morreu e que morreu na cruz, não é um acto de fé, é um acto histórico, mas acreditar que ressuscitou, sim. “A nossa nasce na manhã de Páscoa”.
Seguindo a Carta de Paolo aos Coríntios, o Papa faz notar que ele era um perseguidor da Igreja, um homem firme nas suas convicções, satisfeito da vida, com clara consciências dos seus deveres. Mas nesse quadro perfeito da vida, um dia acontece-lhe algo de imprevisível: a caminho de Damasco, encontra Jesus e cai do cavalo, mas não se tratou duma simples queda. Ele é apanhado por um acontecimento que muda o sentido da sua vida. E de perseguidor torna-se apóstolo. Porquê?
Porque vi Jesus vivo! Eu vi Jesus Cristo ressuscitado! Este é o fundamente da fé de Paulo, assim como da fé dos apóstolos, como a fé da Igreja, como a nossa fé”.
O Papa chamou a atenção para a beleza de o cristianismo ser essencialmente isto: não tanto a nossa procura de Deus que na realidade é titubeante, mas sim Deus que nos procura e não nos abandona. O cristianismo – disse  - é graça, é surpresa e por isso requer um coração capaz de se maravilhar…
um coração cerrado, um coração racionalístico é incapaz de se maravilhar, e não compreender o que é o cristianismo. Porque o cristianismo é graça, e a graça só é perceptível, só se encontra na maravilha do encontro
Então – continuou o Papa – se somos pecadores, todos o somos, se nos sentimos falhados, tal como aqueles que foram ao sepulcro de Jesus e viram a pedra rolada – podemos ira a nosso sepulcro interior e ver como Deus é capaz de ressuscitar também ali. E então lá onde todos pensavam que só havia tristeza, trevas, insucessos, dá-se a felicidade, a alegria, a vida. “Deus faz crescer as suas flores mais bonitas no meio de pedras áridas”.
E o Papa concluiu recordando que “ser cristãos significa não partir da morte, mas do amor de Deus para connosco” E convidou, a trazermos no coração, nestes dias de Páscoa, do grito de São Paulo “Ó morte onde está a tua vitória? Onde está ó morte o teu aguilhão”. Assim poderemos responder a quem se interroga sobre o nosso sorriso, que “Jesus ainda está aqui e continua a estar vivo no meio de nós, que Jesus está aqui na praça connosco: vivo e ressuscitado” .
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Depois da sua catequese em italiano, as palavras do Papa foram resumidas em francês, inglês, espanhol, alemão, polaco, e português, seguidas de uma saudação nessas línguas para diversos grupos de peregrinos presentes na Praça. Eis a saudação do Papa em língua portuguesa…
De coração saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os grupos vindos de Portugal e do Brasil. Queridos amigos, deixai-vos iluminar e transformar pela força da Ressurreição de Cristo, para que as vossas existências se convertam num testemunho da vida que é mais forte do que o pecado e a morte. Feliz Páscoa para todos!"
(DA)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/04/19/papa_-cristo_ressuscitou_dos_mortos_-_aqui_nasce_a_f%C3%A9_crist%C3%A3/1306632

terça-feira, 18 de abril de 2017

Portugal - Canonização dos pastorinhos reforça Mensagem de Fátima


Canonização dos pastorinhos reforça Mensagem de Fátima. É assim que o Cardeal Patriarca de Lisboa sublinha à Rádio Vaticano a importância da canonização dos beatos Francisco e Jacinta.
Declarações de D. Manuel Clemente à margem da jornada diocesana da juventude do Patriarcado de Lisboa realizada no início do mês em Odivelas.
“Através da vida deles nós nos aproximamos da vida de Cristo”, diz neste contexto o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.
Oportunidade para os jovens partilharem também à reportagem da emissora pontifícia as suas expetativas no contexto do centenário das aparições da Cova da Iria.
Testemunhos que destacam a novidade destas canonizações, o exemplo dos pastorinhos como caminho de santidade, e ainda o pedido ao papa para que canonize já em Maio em Fátima os beatos Francisco e Jacinta Marto.
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/04/18/portugal_-_canoniza%C3%A7%C3%A3o__pastorinhos_refor%C3%A7a_mensagem__fatima/1306394

Bento XVI festejou segunda-feira do Anjo os seus 90 anos


Como é sabido o Papa emérito, Bento XVI fez no domingo 16, 90 anos de idade. Sendo dia de Páscoa, os festejos foram adiados para ontem à tarde. Joseph Ratzinger recebeu no Convento Mater Eclesae, sua residência no Vaticano, uma pequena delegação da sua terra Natal, a Baviera, incluindo o seu irmão Georg Ratzinger. O nosso colega do Programa alemão, Mário Galgano, teve a ocasião de presenciar a essa pequena festa e transmitiu a Bento XVI os parabéns de todos os ouvintes da Rádio Vaticano. E o pontífice, que há quatro anos renunciou ao cargo, agradeceu a todos pelo afecto que lhe é manifestado. Falando em alemão, Bento XVI agradeceu a Deus por lhe ter dado uma vida bela, intensa, embora com altos e baixos. Disse sentir-se muito feliz por ter uma pátria, a Baviera, que o Criador fez tão bela, e o céu azul de Roma com as suas nuvens brancas que lhe recordam a bandeira branca e azul da Baviera. E conclui dando a todos a sua bênção. 
Do testemunho de fé e humanidade de Bento XVI, dá conta um livro saído precisamente estes dias pela Editora São Paulo. O título é “Bento XVI, imagens de uma vida” e é da autoria da jornalista Maria Giuseppina Bonanno e de Luca Caruso, responsável do departamento de imprensa da Fundação Joseph Ratzinger.
O colega italiano Alessandro Gisotti perguntou a Luca Caruso como surgiu a ideia de contar a vida do Papa emérito através de imagens…
“A ideia nasce em referência a uma passagem do livro do Ben Sira: “Se encontrares um sábio, vai logo ter com ele, os teus pés não poupem os degraus do seu limiar”. O meu desejo e o de Maria Giuseppina Buonoanno era o de dar a conhecer, de forma simples, a quem queira conhecer, a vida de um grande testemunho de fé neste século. Esta narração nasce de um encontro sinérgico entre texto e imagem: aquilo que uma pessoa lê no texto, o vê ao lado traduzido em imagem…
 - Na prefação do livro, o P. Federico Lombardi, Presidente da Fundação Ratzinger, escreve que “os olhos de Bento XVI são os de um homem que procura a verdade e que a intui”…
Isto é verdade, é um olhar que vai para além, que já saboreia antecipadamente a luz, o fulgor da Ressurreição! Joseph Ratzinger nasceu num Sábado Santo e foi baptizado com essa água: vive as dificuldades, as alegrias e as dores de cada dia, mas já saboreia antecipadamente algo que vai para além, o fulgor da Ressurreição.”
- O capítulo conclusivo é dedicado às relações entre o Papa Francisco e aquele que há quatro anos é o Papa Emérito. Também aqui tantas belas imagens dessa relação inédita e, sobretudo, extraordinária de fraternidade entre Bergoglio e Ratzinger…
Sim, eles são um modelo de fraternidade episcopal mas também – num período atormentado de guerra, de violência – são um modelo esplendido de amizade, de fraternidade para cada homem. Para o Papa Francisco, Papa Bento XVI é um “avô sábio em casa” e o Papa Bento está tocado pelo entusiasmo, pela alegria da fé transmitida pelo Papa Francisco.”
O livro traz também um breve texto de Georg Ratzinger, irmão do Papa emérito que sublinha como muitas pessoas encontram nas palavras de Bento XVI “força e orientação”. Falamos muito de imagens, mas o tema da palavra é certamente fundamental e é uma herança fecunda e com um longo e amplo horizonte no caso de Joseph Ratzinger…
Sim, o Papa Bento foi um grande intelectual, fruto da mais alta tradição “mitteleropea”.  E esta sua pesquisa ininterrupta do rosto de Deus através do estudo da Teologia é o seu maior património e que enriqueceu toda a reflexão de quem o ouviu, e continuará a semear frutos por longo tempo na vida da Igreja.”
(DA)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/04/17/bento_xvi_festejou_segunda-feira_do_anjo_os_seus_90_anos/1306298

Papa: Regina Caeli de segunda-feira do Anjo 17.04.17


Hoje dia 17 de Abril é segunda-feira do Anjo e dia feriado no Vaticano e na Itália e às 12 horas de Roma Papa Francisco rezou a oração do Regina Caeli, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.
O Pontífice sublinhou que “nesta segunda-feira de festa, conhecida como ‘Segunda-feira do Anjo”, a liturgia faz ressoar o anúncio da Ressurreição”, anúncio proclamado no Domingo de Páscoa: Cristo ressuscitou, aleluia!
“No Evangelho de hoje, podemos ouvir o eco das palavras que o Anjo dirigiu às mulheres que correram ao sepulcro: “Vão depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos”. 
“Sentimos como dirigido também a nós o convite a ir depressa anunciar aos homens e mulheres do nosso tempo esta mensagem de alegria e esperança. De esperança porque desde que, na aurora do terceiro dia, Jesus crucificado ressuscitou, a última palavra não é mais da morte, mas da vida! Esta é a nossa certeza. A última palavra não é do sepulcro, não é da morte, é da vida! Por isso, repetimos: Cristo ressuscitou! Porque Nele o sepulcro foi vencido, e nasceu a vida.” 
“Em virtude desse evento, verdadeira e própria novidade da história e do cosmo, somos chamados a ser homens e mulheres novos, segundo o Espírito, afirmando o valor da vida. Isso é começar a ressurgir!”
“Seremos homens e mulheres de ressurreição, homens e mulheres de vida se, no meio da vicissitudes que afligem o mundo, e são muitas, em meio à mundanidade que distancia de Deus, soubermos fazer gestos de solidariedade, gestos de acolhimento, alimentar o desejo universal de paz e aspirar a um ambiente livre de degradação. São sinais comuns e humanos, mas que, sustentados e animados pela fé no Senhor ressuscitado, adquirem uma eficiência bem superior às nossas capacidades. Sim, porque Cristo está vivo e operante na história por meio do seu Santo Espírito: resgata as nossas misérias, alcança todo coração humano e doa novamente esperança ao oprimido e sofredor.” 
O Papa pediu à Virgem Maria, “testemunha silenciosa da morte e da ressurreição de seu filho Jesus, para que nos ajude a ser sinais límpidos de Cristo ressuscitado entre os acontecimentos do mundo, a fim de que os que se encontram nas tribulações e dificuldades não permaneçam vítimas do pessimismo e da derrota, da resignação, mas encontrem em nós muitos irmãos e irmãs que oferecem o seu apoio e consolação”. 
“Que a nossa Mãe nos ajude a crer fortemente na ressurreição de Jesus. Jesus ressuscitou! Está vivo aqui entre nós e este é um mistério de salvação admirável com a sua capacidade de transformar os corações e a vida. Que ela interceda de modo particular pelas comunidades cristãs perseguidas e oprimidas em várias partes do mundo, chamadas a um testemunho difícil e corajoso.”
Na luz e alegria da Páscoa, o Papa Francisco convidou todos os presentes na Praça de São Pedro a rezar o Regina Caeli, oração que durante cinquenta dias, até ao Pentecostes, substitui o Angelus. 
Depois da oração do Regina Caeli, o Papa Francisco saudou as pessoas presentes na Praça São Pedro, famílias, grupos paroquiais, associações e peregrinos provenientes da Itália e várias partes do mundo. 
“Que vocês transcorram serenamente estes dias da Oitava de Páscoa, em que se prolonga a alegria da Ressurreição de Cristo. Aproveitem esta boa ocasião para serem testemunhas da paz do Senhor ressuscitado.” 
“Boa e Santa Páscoa a todos! Por favor, não se esqueçam de rezar por mim”, concluiu o Papa.
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/04/17/papa_regina_caeli_de_segunda-feira_do_anjo_170417/1306333

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Papa: Hoje a Igreja repete, grita: Cristo Ressuscitou


Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco celebrou na manhã de hoje, domingo de Páscoa,  dia 16 de Abril de 2017, às 10 horas de Roma, na Praça de S. Pedro, a Santa missa de solenidade da Páscoa do Senhor, este ano em coincidência com a Páscoa dos Ortodoxos. Milhares de fiéis e peregregrinos provenientes de diversas partes da Itália e do mundo inteiro, congregaram-se na Praça de S. Pedro para assistir a santa missa e escutar a mensagem Urbi et Orbi do Santo Padre.
Hoje, a Igreja repete, canta, grita: “Jesus ressuscitou”. Mas porquê? Pedro, João, as mulheres foram ao Sepulcro e estava vazio. Ele não estava lá. Eles foram embora dalí com o coração fechado pela tristeza duma derrota: o Mestre, o seu Mestre, aquele que eles amavam tanto foi morto e da norte ninguém volta para trás. Esta é a derrota, esta é a estrada da derrota, a estrada em direcção ao sepulcro.
Mas eis então, disse o Santo Padre, que o Anjo disse aos discípulos: “Não está aquí, ressuscitou”. É, sublinhou o Papa, o primeiro anúncio: “Ressuscitou”! E depois a confusão, o coração fechado, as aparições. Mas os discípulos tinham permanecido fechados durante todo o dia no Cenáculo, porque tinham medo que acontecesse também a eles o mesmo que tinha acontecido a Jesus.
E a Igreja, prosseguiu o Papa, não cessa de dizer perante as nossas derrotas, aos nossos corações fechados e cheios de temor: “Para um pouco, o Senhor ressuscitou”! Daí, no entanto, a grave questão: mas se o Senhor ressuscitou, porque então acontecem tantas desgraças, doenças, tráfico de armas e de pessoas, guerras, destruições, mutilações, vinganças, ódio? Mas onde é que está o Senhor perante todas estas tragedias?
Para responder à esta pregunta crucial Francisco fez partícipe aos presentes da sua conversa telefónica que teve ontem, sábado, dia 15 de Abril de 2017, com um rapaz doente, um engenheiro a quem, tinha telefonado para lhe encorajar na fé perante a sua dor dizendo-lhe: “não existem explicações perante aquilo que estás a sofrer. Eleva o teu olhar para Jesus crucificado. Deus fez isso com o Seu Filho e não existe outra explicação a tudo isso”. Mas ele, disse o Papa, me respondeu dizendo: “Sim, mas Deus perguntou ao Seu Filho se quería carregar a Cruz e ele respondeu que sim. A mim não foi perguntado se eu quería tudo quanto estou sofrendo”.
Isto comove-nos, a nenhum de nós se pregunta: mas estás contente com tudo aquilo que está a acontecer no mundo? Estás disponível a levar avante esta cruz? E a cruz vai avante e a fé em Jesus vai abaixo. Hoje a Igreja continua a dizer: “Para, Jesus ressuscitou”. E isto não é uma fantasia. A ressurreição de Cristo não é uma festa celebrada com tantas flores; é muito mais do que isso: é o mistério da pedra descartada que se torna fundamento da nossa existencia.
Ora, nesta nosssa cultura do descarte de hoje, acrescentou Francisco, na qual tudo aquilo que não serve mais é lançado ao destino do “usa e joga fora” e na qual o que não serve é descartado, aquela pedra- Jesus – é descartada e é fonte de vida. E também nós, pedrazinhas espalhas por terra, nesta terra de dor, de tragedias, com a fé em Cristo ressuscitado temos um sentido, no meio de tantas calamidades.
Trata-se segundo Francisco, daquele sentido de saber olhar para além e sermos capazes de dizer: “Olha que não existe o muro, existe sim um horizonte, existe a vida, existe a alegría, existe a cruz carregada certamente desta ambivalência. Olha então para frente, não se feche em si mesmo. Tu pedrazinha tens um sentido na vida porque és uma pedrazinha extráida daquela pedra que a malvadez do pecado descartou.
O que é que então nos pede hoje a Igreja perante a tantas tragédias? Ela nos pede simplesmente, disse o Santo Padre, que recordemos que a pedra descartada não resulta realmente descartada. As pedraszinhas que acreditam e estão ligadas à esta pedra, não são descartadas, têm um sentido e com este sentimento a Igreja repete do fundo do coração “Jesus ressuscitou.
Daí que, neste dia de Páscoa, Francisco advertiu a todos de pensarmos aos problemas quotidianos, às doenças que sofremos, às guerras, as tragedias humanas e, simplesmente, com voz humilde, sem flores, sózinhos perante Deus e perante a nós mesmos digamos: “não sei o que será de tudo isso, mas estou seguro que Cristo ressuscitou e eu apostei nisso”.
Irmãos e irmãs, este é o que eu vos quis dizer. Regressem hoje para as vossas casas, repetindo no vosso coração: Cristo ressuscitou!  
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/04/16/papa_hoje_a_igreja_repete,_grita_cristo_ressuscitou/1306179