sábado, 24 de junho de 2017

Papa: "Serra Clube, onde os leigos são amigos dos padres"


Cidade do Vaticano (RV) – No quadro das atividades do Papa Francisco nesta sexta-feira (23/06), constou também uma audiência a uma delegação da associação leiga Serra Internacional, que estão reunidos em congresso com o tema “Sempre adiante. A coragem da vocação”.
A Fundação financia programas de promoção e formação para o sacerdócio e a vida consagrada, ou seja, ‘são amigos’ dos sacerdotes.
O significado de 'ser amigos'
Francisco, em seu discurso ao grupo, retomou precisamente a expressão ‘ser amigos’: um ‘serrano’ – disse ele, é antes de tudo um amigo ‘especial’ que o Senhor colocou ao lado de alguns seminaristas e padres.
“Amigo”, uma palavra um pouco ‘desgastada’ hoje em dia – disse o Papa – pois um conhecimento superficial não é suficiente para acender uma experiência de encontro e proximidade como a que sentimos quando o encontro é com Jesus.
“Somos amigos somente quando o encontro se torna compartilha de um mesmo destino, compaixão, envolvimento… que conduz até a doação de si pelo outro”, explicou, citando algumas características de um bom amigo:  
“Um amigo me ouve profundamente, sabe ir além das palavras, é misericordioso com meus defeitos, é livre de preconceitos, não concorda sempre comigo, mas justamente por me querer bem, me diz sinceramente aonde discorda; está pronto a ajudar-me cada vez que caio”.
Serra Clube, onde leigos são amigos dos padres
O Serra Clube é um lugar em que esta bela vocação cresce: ser leigos amigos dos padres, acompanhando-os e apoiando-os nas alegrias e fadigas do ministério.
Dissertando sobre o termo ‘Sempre adiante’, usado para o Congresso, Francisco a definiu uma ‘palavra-chave’ da vocação cristã.
“Não pode caminhar quem não se coloca em discussão. O cristão sabe que pode descobrir as surpreendentes iniciativas de Deus quando tem a coragem de ousar”, mencionou o Pontífice. Citando São Junípero, o Papa afirmou que é melhor caminhar claudicante do que ser ‘cristãos de museu’, que temem mudanças.
Renunciar às vaidades e aprender a delegar
“A vocação é ser chamados por um Outro, é sair de si mesmos e colocar-se a serviço de um projeto maior. Com humildade, nos tornamos colaboradores da vinha do Senhor, renunciando a todo espírito de posse e vanglória. Como é trise ver que às vezes, nós homens de Igreja não sabemos ceder nosso lugar, não conseguimos delegar tarefas com tranquilidade, nos é difícil deixarmos em mãos de outros as obras que o Senhor nos confiou!”.
No final do encontro, o Papa exortou o grupo a prosseguir, ‘sempre avante’, manifestando seu amor pelos seminaristas e sacerdotes na promoção das vocações, na oração e na colaboração pastoral.
“Avante na esperança, avante com sua missão, olhando além, abrindo horizontes, preparando o futuro. A Igreja e as vocações sacerdotais precisam de vocês”. 
(CM)
Fonte:http://br.radiovaticana.va/news/2017/06/23/papa_serra_clube,_onde_os_leigos_s%C3%A3o_amigos_dos_padres/1320913

Papa Santa Marta: fazer-se pequeno para ouvir a voz do Senhor


Cidade do Vaticano (RV) - Para ouvir a voz do Senhor, é preciso se fazer pequeno. Foi o que o Papa Francisco recordou na homilia da missa da manhã na Casa Santa Marta, celebrando o Sagrado Coração de Jesus.
O Senhor nos escolheu, ele se “misturou conosco no caminho da vida” e nos deu “Seu Filho, e a vida de Seu Filho, por amor nosso”. Referindo-se a primeira leitura de hoje tirado do Deuteronômio, onde Moisés diz que Deus nos escolheu para sermos seu povo entre todos os povos da terra, Francisco explica como se louva a Deus porque “no coração de Jesus dá-nos a graça de celebrar com alegria os grandes mistérios da nossa salvação, de Seu amor por nós”, celebrando, isto é “a nossa fé”. Em particular, o Papa se detém sobre duas palavras contidas no texto: escolher e pequenez. Em relação à primeira, disse ele, não fomos nós a “escolhê-Lo”, mas é Deus que se fez “nosso prisioneiro”:
“Ele se prendeu à nossa vida, não pode se distanciar”. Jogou forte! Ele permanece fiel nessa atitude. Fomos escolhidos por amor e esta é a nossa identidade. 'Eu escolhi esta religião, eu escolhi ...' Não, você não escolheu. É Ele que escolheu você, chamou você e se prendeu. E esta é a nossa fé. Se não acreditamos nisso, não entendemos a mensagem de Cristo, não entendemos o Evangelho”.
Para a segunda palavra, pequenez, recorda como Moisés especifique que o Senhor escolheu o povo de Israel, porque é “o menor de todos os povos”:
“Ele se apaixonou pela nossa pequenez e por isso ele nos escolheu. E ele escolhe os pequenos: não os grandes, os pequenos. E Ele se revela aos pequenos: ‘Escondestes essas coisas aos grandes e poderosos e as revelastes aos pequeninos!’ Ele se revela aos pequenos: se você quer entender algo do mistério de Jesus, abaixe-se: faça-se pequeno. Reconheça que você não é nada. E não só escolhe e se revela aos pequenos, mas chama os pequenos: 'Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados: Eu vos aliviarei'. Vós que sois os mais pequenos - pelos sofrimentos, cansaço ... Ele escolhe os pequenos, se revela aos pequenos e chama os pequenos. Mas os grande Ele não os chama? O Seu coração está aberto, mas a voz os grande não conseguem ouvi-la porque eles estão cheios de si mesmos. Para ouvir a voz de Deus, é preciso se fazer pequeno”.
Assim, então, se chega ao mistério do coração de Cristo, que não é - como "alguém diz", recorda Francisco- uma "imagem pequena" para os devotos: o coração traspassado de Cristo é “o coração da revelação, o coração da nossa fé, porque ele se fez pequeno, ele escolheu este caminho”. O de humilhar-se e aniquilar-se "até a morte" na cruz: é - disse o Papa – “uma escolha para a pequenez, para que a glória de Deus possa se manifestar”. Do corpo de Cristo traspassado pela lança do soldado "saiu sangue e água", recorda Francisco, e "este é o mistério de Cristo", na celebração de hoje, de um "coração que ama, que escolhe, que é fiel" e "se une a nós, se revela aos pequenos, chama os pequenos, e se faz pequeno”:
“Cremos em Deus, sim; sim, também em Jesus, sim ... 'Jesus é Deus?' - 'Sim'. Mas o mistério é este. Esta é a manifestação, esta é a glória de Deus. Fidelidade ao escolher, no prender-se e pequenez também por si mesmo: tornar-se pequeno, aniquilar-se. O problema da fé é o núcleo da nossa vida: podemos ser muito, muito virtuosos, mas sem ou pouca fé; devemos começar a partir daqui, a partir do mistério de Jesus Cristo que nos salvou com a sua fidelidade”.
A oração final é para que o Senhor nos conceda a graça de celebrar no coração de Jesus Cristo, “os grandes gestos, as grandes obras de salvação, as grandes obras de redenção”. (SP)
Fonte:http://br.radiovaticana.va/news/2017/06/23/papa_santa_marta_fazer-se_pequeno_para_ouvir_voz_do_senhor/1320900

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Papa na Audiência geral: podemos ser santos na vida de cada dia


Quarta-feira, 21 de junho: audiência com Papa Francisco na Praça de S. Pedro. Partindo da Carta aos Hebreus, caps 11 e 12, Francisco prosseguiu o ciclo das suas catequeses sobre a esperança cristã. Os santos são, para nós – sublinhou Francisco - testemunhas e companheiros de esperança mostrando-nos que a vida cristã não é um ideal inatingível; são companheiros da nossa peregrinação nesta vida; partilharam as nossas lutas e fortalecem a nossa esperança de que o ódio e a morte não têm a última palavra na existência humana.
Por isso, invocamos o auxílio dos santos nos sacramentos, disse o Papa, primeiro no dia do nosso Baptismo, quando pouco antes da unção com o óleo dos catecúmenos, o sacerdote convidou toda a assembleia a rezar pelos baptizandos invocando a intercessão dos santos:
“Essa era a primeira vez que, no curso da nossa vida, nos era doada esta companhia de irmãos e irmãs "mais velhos", que passaram pela mesma estrada, que conheceram as mesmas canseiras e vivem para sempre no abraço de Deus. A Carta aos Hebreus chama esta companhia que nos rodeia com a expressão "multidão de testemunhas”.
Os cristãos, prosseguiu Francisco, não se desesperam na luta contra o mal, porque cultivam uma incurável confiança: que as forças negativas e destrutivas não podem prevalecer, a última palavra na história do homem não é ódio, não é a morte, não é guerra, pois em cada momento da vida, nos assiste a mão de Deus e a presença discreta daqueles que nos precederam com o sinal da fé e que, pela acção do Espírito Santo, estão envolvidos nas questões dos que ainda vivem aqui.
E o Pontífice citou também o caso do matrimónio, quando dois namorados consagram o seu amor e é novamente invocada para eles a intercessão dos santos. Uma invocação, reiterou o Papa, que é fonte de confiança para os jovens que partem para a "viagem" da vida conjugal. Na verdade, para ter a coragem de dizer "para sempre", o cristão sabe que precisa da graça de Cristo e da ajuda dos santos.
“E nos momentos difíceis, devemos ter a coragem de elevar os olhos para o céu, pensando em muitos cristãos que passaram pela tribulação, e conservaram brancas as suas vestes baptismais, lavando-as no sangue do Cordeiro”.
Deus nunca nos abandona, sublinhou ainda o Papa, sempre que precisarmos virá o seu anjo para nos levantar e infundir consolação. Também os sacerdotes conservam a memórias de uma invocação dos santos pronunciada sobre eles no momento da ordenação, quando toda a assembleia, guiada pelo Bispo, invoca a intercessão dos santos.
O candidato sabe que conta com a ajuda de todos os que estão no Paraíso para poder suportar o peso da missão que lhe é confiada, disse Francisco, acrescentando que não estamos sozinhos, e que os santos nos lembram que, apesar das nossas fraquezas, a graça de Deus é maior nas nossas vidas.
Por isso, devemos manter sempre viva a esperança de ser santos, pois este é o maior presente que podemos dar ao mundo.
“Que o Senhor nos dê a esperança de sermos santos. É o grande presente que cada um de nós pode fazer ao mundo”.
O Papa Francisco, como habitualmente, também se dirigiu aos fiéis de língua portuguesa, tendo saudado em particular os provenientes de Jundiaí, São Carlos e Santo André, convidando a todos a não ter medo mas, com a ajuda dos que já estão no céu, a deixar-se transformar pela graça misericordiosa de Deus:
“Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo particular os fiéis de Jundiaí, São Carlos e Santo André. Queridos amigos, o mundo precisa de santos e todos nós, sem exceção, somos chamados à santidade. Não tenhamos medo! Com a ajuda daqueles que já estão no céu, deixemo-nos transformar pela graça misericordiosa de Deus que é mais forte do que qualquer pecado. E que Ele sempre vos abençoe!”
Nas saudações ao grupo de língua italiana o Papa acolheu cordialmente os diáconos do Pontifício Colégio Urbano da Propaganda Fide, as Clarissas Franciscanas Missionárias do SS. Sacramento e os missionários de Scheut, por ocasião dos respectivos Capítulos gerais, exortando-os a viver a missão com os olhos atentos às periferias humanas e existenciais.
Uma cordial saudação também para a comunidade Amor e Liberdade, que o Papa encorajou a apoiar pelos seus esforços em favor da educação dos jovens na República Democrática do Congo. E sobre o Dia do Refugiado que ontem se celebrou o Papa acrescentou:
“Por ocasião do Dia Mundial do Refugiado, que a comunidade internacional comemorou ontem, na segunda-feira passada eu quis encontrar uma representação de refugiados que são hospedados pelas paróquias e instituições religiosas de Roma. Queria aproveitar esta ocasião do Dia de ontem para exprimir o meu sincero apreço pela campanha para a nova lei migratória: "Eu era estrangeiro – A Humanidade que faz bom", que conta com o apoio oficial da Caritas italiana, a Fundação Migrantes e de outras organizações católica”
E por último, uma cordial saudação aos jovens, os doentes e os recém-casados, a quem o Papa convidou a participar na Eucaristia para que, alimentados por Cristo, sejam famílias cristãs tocadas pelo amor do Coração divino de Cristo. E a concluir o Papa recordou próxima sexta-feira é a Solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, o dia em que a Igreja apoia com a oração e afecto todos os sacerdotes.
Pai Nosso …
O Papa Francisco a todos deu a sua bênção.
(BS)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/06/21/papa_na_audi%C3%AAncia_podemos_ser_santos_na_vida_de_cada_dia/1320483

Papa em Bozzolo e Barbiana, nos túmulos de don Mazzolari e don Milani


O Papa Francisco chegou em Bozzolo, onde foi acolhido pelo bispo de Cremona, Dom Antonio Napolioni, que anunciou o início do processo de beatificação de don Mazzolari no próximo dia 18 de Setembro, pelo prefeito da cidade, e pelo calor dos fiéis. Em seguida, na Paróquia de São Pedro uma oração junto ao túmulo de dom Primo Mazzolari e um discurso do Santo Padre. Depois de Bozzolo o Papa seguirá para Barbiana, sendo a chegada prevista para as 11.15 horas. Aqui Francisco será acolhido pelo Cardeal Giuseppe Betori, arcebispo de Florença, e pelo prefeito da Cidade. O Papa visitará o túmulo de don Lorenzo Milani, e em seguida, se dirigirá para a igreja e prado adjacente fará um discurso. Às 13.15 horas prevê-se a aterragem no heliporto do Vaticano.
 Em Barbiana o Papa irá imediatamente em visita privada para rezar no cemitério onde se encontra o túmulo de dom Lorenzo Milani, 50 anos depois da sua morte; e depois, na igreja, o Papa encontrará os discípulos de don Milani, os estudantes agora idosos, mas que continuam a ser os eternos meninos de don Milani. Em seguida, num prado ao lado da casa paroquial, o Papa realizará um discurso comemorativo, na presença de cerca de 200 pessoas. Barbiana é um lugar de paz, onde as pessoas que chegam têm realmente um contacto com aquilo que o Espírito tem feito todos estes anos. (BS)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/06/20/papa_em_bozzolo_e_barbiana_nos_t%C3%BAmulos_de_mazzolari_e_milani/1320131

sábado, 17 de junho de 2017

Papa em Santa Marta: o poder de Deus salva das fraquezas e pecados


“Tomar consciência de sermos frágeis, vulneráveis e pecadores: somente a potência de Deus salva e cura. Foi a exortação do Papa Francisco na homilia da missa celebrada na manhã de sexta-feira (16/06) na Casa Santa Marta.
Nenhum de nós se  ‘pode salvar sozinho’: precisamos do poder de Deus para sermos salvos. O Papa Francisco reflectiu sobre a Segunda carta aos Coríntios, em que o apóstolo fala do mistério de Cristo dizendo “temos um tesouro em vasos de barro” e exorta todos a tomar consciência de serem ‘barro, frágeis e pecadores’: sem o poder de Deus – recordou, não podemos prosseguir. “Temos este tesouro de Cristo – explicou o Papa – em nossa fragilidade ... nós somos barro”, porque é o poder, a força de Deus que nos salva, que nos cura, que nos ergue. É esta, no fundo, a realidade de nossa fraqueza”.
A dificuldade de admitir nossa fragilidade
“Todos nós somos vulneráveis, frágeis, fracos, e precisamos ser curados. Ele nos diz: somos afligidos, abalados, perseguidos, atingidos: é a manifestação da nossa fraqueza, é a nossa vulnerabilidade. E uma das coisas mais difíceis na vida é admitir a própria fragilidade. Às vezes, tentamos encobri-la para que não se veja; ou mascará-la, ou dissimular... O próprio Paulo, no início deste capítulo, diz: ‘Quando caí em dissimulações vergonhosas’. Dissimular é vergonhoso sempre. É hipocrisia”.
Além da ‘hipocrisia com os outros’ – prosseguiu Francisco – existe também a ‘comparação com nós mesmos’, ou seja, quando acreditamos ‘ser outra coisa’, pensando ‘não precisar de curas ou apoio’. Quando dizemos: “não sou feito de barro, tenho um tesouro meu”.
“Este é o caminho, é a estrada rumo à vaidade, à soberba, à auto-referencialidade daqueles que não se sentindo de barro, buscam a salvação, a plenitude de si mesmos. Mas o poder de Deus é o que nos salva, porque Paulo reconhece a nossa vulnerabilidade:
Paulo e a vergonha da dissimulação
‘Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia. Existe algo em Deus que nos dá esperança. Somos postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados’. É o poder de Deus que nos salva. Sempre existe esta relação entre o barro e o poder, o barro e o tesouro. Nós temos um tesouro em vasos de barro, mas a tentação é sempre a mesma: cobrir, dissimular, não admitir que somos barro... a hipocrisia em relação a nós mesmos”.
O apóstolo Paulo – destacou o Papa – com este modo de pensar, de raciocinar, de pregar a Palavra de Deus, nos conduz a um diálogo entre o tesouro e a argila. Um diálogo que continuamente devemos fazer para sermos honestos”. Francisco citou o exemplo da confissão, ‘quando dizemos os pecados como se fossem uma lista de preços no supermercado’, pensando em “clarear um pouco o barro” para sermos mais fortes. Ao invés, temos que aceitar a fraqueza e a vulnerabilidade, mesmo que seja difícil fazê-lo: é aqui que entra em jogo a ‘vergonha’.
“É a vergonha, aquilo que aumenta o coração para deixar entrar o poder de Deus, a força de Deus. A vergonha de ser barro e não um vaso de prata ou de ouro. De ser de argila. E se chegarmos a este ponto, seremos felizes. O diálogo entre o poder de Deus e o barro. Por exemplo, no lava-pés, quando Jesus se aproxima de Pedro e este lhe diz: ‘Não, a mim não Senhor, por favor’. O que? Pedro não tinha entendido que era de barro, que precisava do poder do Senhor para ser salvo”.
Reconhecer nossas fragilidades e obter a salvação
É na generosidade que reconhecemos ser vulneráveis, frágeis, fracos, pecadores. Somente quando aceitamos ser de barro – concluiu o Papa – “o extraordinário poder de Deus virá a nós e nos dará a plenitude, a salvação, a felicidade, a alegria de sermos salvos, recebendo assim a alegria de sermos ‘tesouro’ do Senhor. (BS/CM)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/06/16/papa_o_poder_de_deus_nos_salva_das_fraquezas_e_pecados/1319360

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Papa em Santa Marta: o poder de Deus salva das fraquezas e pecados


“Tomar consciência de sermos frágeis, vulneráveis e pecadores: somente a potência de Deus salva e cura. Foi a exortação do Papa Francisco na homilia da missa celebrada na manhã de sexta-feira (16/06) na Casa Santa Marta.
Nenhum de nós se  ‘pode salvar sozinho’: precisamos do poder de Deus para sermos salvos. O Papa Francisco reflectiu sobre a Segunda carta aos Coríntios, em que o apóstolo fala do mistério de Cristo dizendo “temos um tesouro em vasos de barro” e exorta todos a tomar consciência de serem ‘barro, frágeis e pecadores’: sem o poder de Deus – recordou, não podemos prosseguir. “Temos este tesouro de Cristo – explicou o Papa – em nossa fragilidade ... nós somos barro”, porque é o poder, a força de Deus que nos salva, que nos cura, que nos ergue. É esta, no fundo, a realidade de nossa fraqueza”.
A dificuldade de admitir nossa fragilidade
“Todos nós somos vulneráveis, frágeis, fracos, e precisamos ser curados. Ele nos diz: somos afligidos, abalados, perseguidos, atingidos: é a manifestação da nossa fraqueza, é a nossa vulnerabilidade. E uma das coisas mais difíceis na vida é admitir a própria fragilidade. Às vezes, tentamos encobri-la para que não se veja; ou mascará-la, ou dissimular... O próprio Paulo, no início deste capítulo, diz: ‘Quando caí em dissimulações vergonhosas’. Dissimular é vergonhoso sempre. É hipocrisia”.
Além da ‘hipocrisia com os outros’ – prosseguiu Francisco – existe também a ‘comparação com nós mesmos’, ou seja, quando acreditamos ‘ser outra coisa’, pensando ‘não precisar de curas ou apoio’. Quando dizemos: “não sou feito de barro, tenho um tesouro meu”.
“Este é o caminho, é a estrada rumo à vaidade, à soberba, à auto-referencialidade daqueles que não se sentindo de barro, buscam a salvação, a plenitude de si mesmos. Mas o poder de Deus é o que nos salva, porque Paulo reconhece a nossa vulnerabilidade:
Paulo e a vergonha da dissimulação
‘Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia. Existe algo em Deus que nos dá esperança. Somos postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados’. É o poder de Deus que nos salva. Sempre existe esta relação entre o barro e o poder, o barro e o tesouro. Nós temos um tesouro em vasos de barro, mas a tentação é sempre a mesma: cobrir, dissimular, não admitir que somos barro... a hipocrisia em relação a nós mesmos”.
O apóstolo Paulo – destacou o Papa – com este modo de pensar, de raciocinar, de pregar a Palavra de Deus, nos conduz a um diálogo entre o tesouro e a argila. Um diálogo que continuamente devemos fazer para sermos honestos”. Francisco citou o exemplo da confissão, ‘quando dizemos os pecados como se fossem uma lista de preços no supermercado’, pensando em “clarear um pouco o barro” para sermos mais fortes. Ao invés, temos que aceitar a fraqueza e a vulnerabilidade, mesmo que seja difícil fazê-lo: é aqui que entra em jogo a ‘vergonha’.
“É a vergonha, aquilo que aumenta o coração para deixar entrar o poder de Deus, a força de Deus. A vergonha de ser barro e não um vaso de prata ou de ouro. De ser de argila. E se chegarmos a este ponto, seremos felizes. O diálogo entre o poder de Deus e o barro. Por exemplo, no lava-pés, quando Jesus se aproxima de Pedro e este lhe diz: ‘Não, a mim não Senhor, por favor’. O que? Pedro não tinha entendido que era de barro, que precisava do poder do Senhor para ser salvo”.
Reconhecer nossas fragilidades e obter a salvação
É na generosidade que reconhecemos ser vulneráveis, frágeis, fracos, pecadores. Somente quando aceitamos ser de barro – concluiu o Papa – “o extraordinário poder de Deus virá a nós e nos dará a plenitude, a salvação, a felicidade, a alegria de sermos salvos, recebendo assim a alegria de sermos ‘tesouro’ do Senhor. (BS/CM)
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/06/16/papa_o_poder_de_deus_nos_salva_das_fraquezas_e_pecados/1319360

Papa na Audiência: Deus amou-nos primeiro e com amor incondicional


Quarta-feira, 14 de junho: audiência com Papa Francisco na Praça de S. Pedro. Partindo da parábola do filho pródigo (cap. 15 de S. Lucas), Francisco prosseguiu o ciclo das suas catequeses sobre a esperança cristã. Nenhum de nós pode viver sem amor e uma das piores escravidões em que podemos cair é acreditar que o amor deve ser merecido, disse o Papa, reiterando que uma boa parte da angústia do homem de hoje vem da convicção de que, se não formos fortes, atraentes e bonitos, então ninguém vai cuidar de nós:
“Muitas pessoas hoje procuram uma visibilidade só para preencher um vazio interior: como se fôssemos pessoas  que eternamente precisam de confirmação. Mas, podeis imaginar um mundo onde todos mendigam motivos para despertar a atenção dos outros, e ninguém está disposto de amar gratuitamente a uma outra pessoa? Parece um mundo humano, mas na realidade é um inferno”.
Muitos narcisismos do homem nascem de um sentimento de solidão, de orfandade – prosseguiu o Papa – e por trás de muitos comportamentos aparentemente inexplicáveis encontra-se uma pergunta: possível que eu não mereço ser chamados pelo nome? Por isso por detrás de muitas formas de ódio social e vandalismo muitas vezes está um coração que não foi reconhecido, disse ainda Francisco, sublinhando que não existem crianças más, nem adolescentes completamente maus, mas existem pessoas infelizes, privadas daquela experiência do amor dado e recebido.
E Deus tem para connosco um amor antecipado  e incondicional, ressaltou o Papa, Ele não nos ama porque existe em nós algum motivo que desperta amor, mas porque Ele mesmo é amor, e o amor tende por sua natureza a difundir-se, a dar-se. Deus não condiciona nem mesmo a sua benevolência à nossa conversão:
"Deus mostra o seu amor para connosco pelo facto que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós". Quando éramos ainda pecadores. Estávamos "longe", como o filho pródigo da parábola: "Quando ele ainda estava longe, o seu pai o viu e teve compaixão ...". Por amor de nós Deus fez um êxodo de si mesmo, para nos visitar nesta terra onde era insensato transitar. Deus nos amou mesmo quando estávamos no erro”.
Só um pai e uma mãe podem amar desta maneira, observou o Papa, porque uma mãe continua a amar o seu filho, mesmo quando este filho está na prisão, uma mãe não pede o cancelamento da justiça humana, porque cada erro requer uma redenção, mas uma mãe nunca pára de sofrer pelo próprio filho, ela o ama, mesmo quando é pecador:
“Deus faz o mesmo connosco: somos os Seus filhos amados! Não existe nenhuma  maldição na nossa vida, mas apenas uma palavra benévola de Deus, que tirou a nossa existência do nada … Nele, em Cristo Jesus, nós fomos amados, desejados. Existe Alguém que imprimiu em nós uma beleza primordial, que nenhum pecado, nenhuma escolha errada poderá apagar completamente”.
Por isso para mudar o coração de uma pessoa infeliz, é preciso antes de tudo abraçá-la, concluiu Francisco, fazê-la sentir que é desejada, que é importante, e ela deixará de ser triste, pois o amor chama o amor, de maneira mais forte do que o ódio que chama a morte. Jesus não morreu e ressuscitou para si, mas para nós, para os nossos pecados sejam perdoados, ou seja, para a nossa libertação. E daqui brota o dom da esperança, a esperança de Deus Pai que nos ama a todos, bons e maus – rematou Francisco.
O Papa Francisco, como habitualmente, também se dirigiu aos fiéis de língua portuguesa tendo saudado em particular aos provenientes do Brasil, convidando a todos a permanecer fiéis ao amor de Deus que encontramos em Cristo Jesus:
"Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, especialmente a quantos vieram do Brasil, convidando todos a permanecer fiéis ao amor de Deus que encontramos em Cristo Jesus. Ele desafia-nos a sair do nosso mundo limitado e estreito para o Reino de Deus e a verdadeira liberdade. O Espírito Santo vos ilumine para poderdes levar a Bênção de Deus a todos os homens. A Virgem Mãe vele sobre o vosso caminho e vos proteja".
Nas saudações ao grupo de língua italiana o Papa dirigiu-se aos novos sacerdotes da diocese de Brescia exortando-os a serem pastores segundo o coração de Deus, bem como à Associação "Caridade sem fronteiras" da Diocese de San Marino-Montefeltro, por ocasião dos 20 anos de actividade.
Francisco saudou igualmente a união italiana dos cegos de Rossano Calabro. E um pensamento especial o Papa dirigiu aos familiares dos militares mortos em missões de paz, mostrando-lhes proximidade com afecto, conforto e encorajamento.
Por último, uma cordial saudação aos jovens, os doentes e os recém-casados. E recordando S. António de Pádua (pregador e padroeiro dos pobres e sofredores) cuja memória litúrgica se celebrou ontem, Francisco convidou os jovens a imitarem a linearidade da sua vida cristã; aos doentes a nunca se cansarem de pedir a Deus Pai por sua intercessão o que eles precisam e aos recém-casados, sob o seu exemplo, a buscarem com ardor o conhecimento da palavra de Deus.
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/06/14/papa_na_audi%C3%AAncia_deus_nos_ama_com_amor_incondicional/1318887