segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Santidade na infância: 3 testemunhos impressionantes

Dolorosas doenças mortais oferecidas por assassinos e pelos missionários, fidelidade a Jesus até o final
domingo 16h - D3A única criança canonizada da Igreja é São Domingos Sávio. Foi Pio XII quem o elevou aos altares, estabelecendo um marco na hagiografia; mas foram necessários mais 30 anos para que João Paulo II abrisse novamente as portas da santidade às crianças.
Com a beatificação de Laura Vicuña e os pastorzinhos de Fátima, resolviam-se os principais obstáculos que as crianças encontram em seu caminho de santidade: a possível falta de maturidade e a curta idade, que impede a demonstração, no tempo, das virtudes heroicas.
As vidas de três meninas de Madri (Espanha), já proclamadas “veneráveis”, seguem os passos dessas crianças já reconhecidas como beatas e santas.
Como você é bom, Jesus!
Um tumor no ouvido desencadeia o calvário de Mari Carmen González Valerio. Em 6 de abril de 1939, quando a menina tinha apenas 9 anos, ela anotou, com faltas ortográficas próprias da sua idade: “Eu me entreguei na paróquia do Bom Pastor”.
Este acontecimento é levado a sério no céu, afirma Javier Paredes, autor do livro “Al cielo con calcetines cortos” (San Román, 2014), porque, 15 dias depois, veio a doença.
Os familiares descendentes de Mari Carmen afirmam que ela nunca disse por quem se entregou, mas, manifestada a doença, todas as suas dores eram oferecidas pela conversão dos assassinos do seu pai (fuzilado no início da Guerra Civil).
O tumor deformou seu rosto, fizeram-lhe uma trepanação na orelha e a ferida, pela septicemia, não cicatrizava.
A isso é preciso acrescentar as inúmeras injeções que ela recebia cada dia (até 20), o que lhe gerava flebite (inflamação das veias) e dores insuportáveis, inclusive ao encostar no lençol.
Mas Mari Carmen não deixava de exclamar: “Como você é bom, Jesus, como você é bom!”. E cada vez que sua mãe a convidava a rezar para que Jesus a curasse, ela respondia: “Não, mamãe, eu peço para que se faça a vontade dele”.
Mas essa menina não mostrou indícios de santidade só durante a doença; desde muito pequena, destacava-se nela a pureza, a caridade e o amor à verdade, virtudes que sempre defendeu com firmeza.
Pilina, a “brava”
María del Pilar Cimadevilla y López Dóriga nasceu em fevereiro de 1952, em Madri. Tinha olhos grandes e temperamento forte, razão pela qual seus irmãos a apelidaram de “a brava”.
Magali, sua irmã, recorda que Pilina era uma menina normal, de uma família normal, em quem a graça de Deus se manifestou de maneira especial – em seu caso, por meio do linfoma de Hodgkin.
“Minha irmã literalmente quebrou a cabeça!”, exclama Magali. É que a doença debilita tanto os ossos, que a morte chega após a ruptura das vértebras cervicais.
Mas, em todo momento, Pilina, com 9 anos, mostrou muita alegria, porque se encontraria com Jesus. Esse amor extraordinário foi transmitido pela sua mãe, que fez o mesmo com seus irmãos, mas nela era diferente.
Magali recorda que, enquanto sua irmã adorava Jesus sacramentado de joelhos, ela se dedicava a apagar as velas da igreja.
É que Pilina teria uma grande missão; foi a irmã Gabriela (uma das enfermeiras que a atendeu) quem a ajudou a entender sua doença: “Você vai sentir um pouquinho de dor, mas você oferece a picada e eu ofereço o trabalho, e assim ajudamos as missões”. E a freira lhe propôs ser a doente missionária.
Desde aquele dia, ela oferecia suas dores pelos missionários e pela conversão dos infiéis, até que, nove meses depois, pediu que abrissem a janela, porque o Menino Jesus viria para buscá-la.
Jesus, que sempre seja feito o que você quiser
“Aléxia adorava viver!” exclamou seu irmão Alfredo no documentário “Aléxia” (European Dreams Factory, 2011).
Ela gostava de dançar, pintar, brincar, enfim, o normal para uma menina da sua idade, segundo recordam suas professoras. “A diferença é que ela era muito piedosa”, explicam.
Ainda ressoa na capela do centro a oração que acompanhou Aléxia durante seus 14 anos de vida: “Jesus, que sempre seja feito o que você quiser”.
Ela tinha uma grandeza espiritual grande para a sua idade: de fato, Javier Paredes fala de três forças que a impulsionam ao céu: o Espírito Santo, o ambiente cristão da sua família e sua liberdade.
Sem elas, Aléxia não teria podido responder como respondeu diante da morte. Em 1984, teve fortes dores nas costas, que demoraram para ser diagnosticadas, mas finalmente descobriram um tumor que lhe fraturou a coluna.
Uma menina como Aléxia, que demonstra em todo momento um imenso amor a Jesus, é o alvo perfeito para o demônio, que, como constatou Paredes, tentou arrancar sua fé no último momento.
Um exorcista conta, em uma carta enviada aos pais da menina, que, durante uma das sessões, quando caiu do seu missal um santinho com a foto da Aléxia, a pessoa possuída ficou muito agitada.
O sacerdote lhe perguntou o porquê da agitação e, “com voz cavernosa, Satanás deu sua resposta: ‘Apesar do que eu lhe ofereci, ela preferiu Ele, não a mim”.

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