segunda-feira, 2 de maio de 2016

Maio: tempo do encantar-se

(Foto: divulgação)O ano de 2016 corre célere e eis que já chegamos ao mês de maio. O novo mês vem repleto de expectativas para os brasileiros, frente a novos fatos políticos e econômicos que podem ser desfechados e decidir a vida do país. Maio também traz comemorações relevantes para a sociedade e a família como o dia do trabalho e o dia das mães, no segundo domingo do mês. Ele também é conhecido como mês das flores e das noivas; certamente são lembranças interligadas, pois toda noiva leva consigo flores ao altar. Maio é, sobretudo, o mês dedicado à Virgem Maria, um mês mariano para os cristãos católicos, e não há como não recordar a intensidade das orações, das ladainhas, das novenas, da enxurrada de “anjinhos” que invadem as igrejas, das flores que ornam os altares, da luminosidade das velas acesas com devoção, dos saudosos cânticos, dos rosários dedilhados das mais pueris às mais cansadas e enrugadas mãos. Enfim, é um mês atípico para as comunidades cristãs devido a afluência dos fiéis, todos os dias, para meditação dos mistérios do rosário mariano. Talvez, nas grandes cidades, tenha se perdido a tradição de reunir a família para rezar e celebrar o mês da Mãe de Jesus, mas ela não se perdeu totalmente, em meio às correrias e distrações da vida moderna. Das grandes igrejas até as mais humildes capelas do interior, a Mãe de Jesus é lembrada, reverenciada e invocada como intercessora junto daquele que tudo pode, Jesus, o Filho de Deus. Esta se torna uma experiência de fé autêntica,que os mais doutos ignoram, duvidam ou criticam, mas os que se fazem pequenos por causa da fé em Deus sabem bem como esta experiência é importante para a vida. Esta fé pode chegar até a resgatar e reorientar a vida.
Para uma melhor compreensão da presença da Virgem Maria na vida da Igreja é bom saber que não somente podemos rezar a ela, mas, sobretudo, rezar “com” e “como” a Mãe de Jesus. As orações do povo fiel não param nela, mas de seu materno coração vão ao Senhor da Vida.  Desde a intercessão por um casal numa festa de casamento (Jo 2, 1-11) até hoje a Mãe do Senhor suplica pela igreja, que caminha na terra como Esposa de Cristo. E, do mesmo jeito, que Maria viveu, toda disponível à Palavra divina, assim também  devem viver todos os membros da Igreja. Portanto, a mãe do Senhor olha por nós como mãe que cuida e quer a vida de seus filhos, mas, ao mesmo tempo, quer que nós façamos tudo aquilo que Ele nos disser (Jo 2,5).  O auxílio de Deus em nossas vidas não é mágica, mas sua graça é para a transformação de nossa vida para que a vivamos em comunhão com Ele e sempre dando uma resposta positiva a doação que Deus faz de si mesmo a nós (ver Jo 14, 23).
A Igreja toda vive o Ano da misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, afim de que redescubramos o papel da misericórdia, que é primordial, na vida dos crentes. Uma fé sem misericórdia é insuficiente, incompleta ou como chega a dizer o Apóstolo Tiago, é morta ( Ver Tiago 2, 17). A fé age pelo amor, pela prática da misericórdia.Não se pode negar que a Virgem Maria viveu e foi envolvida pela misericórdia divina. E no mês mariano do Ano da misericórdia este aspecto não pode passar desapercebido. Maria conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem, como nos recorda nosso Papa na Bula de proclamação deste Ano Santo Jubilar – O rosto da Misericórdia. Ela também proclamou em seu cântico que a misericórdia de Deus estende-se de geração em geração (Lc 1, 50) chegando até a nossa. Com a Virgem Maria, experimentemos neste mês a bondade do Senhor e procuremos em meio às orações tornar-nos pessoas mais abertas ao amor e à presença de Deus a exemplo daquela que com seu “sim” contribuiu para a transformação do mundo.

Pe. Newton Coelho de Oliveira
Pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Barcelona e Ruy Barbosa

Fonte:http://arquidiocesedenatal.org.br/maio-tempo-do-encantar-se.html

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