sexta-feira, 14 de julho de 2017

Voz do Pastor

A situação do mundo e a nossa esperança

Palavras Arcebispo de Natal 


Queridos irmãos e irmãs!
Quando ouvimos declarações de governantes sobre a situação do meio ambiente, a emissão de gases, o descaso de alguns com os esforços para conter a onda de desrespeito com a nossa casa comum, guerras sem fim, e isso, causando tantos outros males, como deslocamentos forçados de pessoas de seus países, tudo nos entristece e nos deixa abalados. O Papa Francisco já declarou: “Um olhar sobre a situação do mundo não oferece imagens confortadoras. No entanto, não podemos simplesmente preocupar-nos e, talvez, resignar-nos. Este momento de evidente dificuldade deve tornar-nos ainda mais conscientes de que a fome e a subalimentação não são apenas fenômenos naturais ou estruturais de determinadas áreas geográficas, mas constituem sobretudo o resultado de uma condição complexa de subdesenvolvimento, causada pela inércia de muitos e pelo egoísmo de poucos. As guerras, o terrorismo, os deslocamentos forçados de pessoas que impedem cada vez mais, ou pelo menos condicionam fortemente as próprias atividades de cooperação, não são fatalidades mas, ao contrário, o resultado de escolhas específicas” (FRANCISCO. Mensagem aos participantes na 40ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação a e Agricultura – FAO. Vaticano, 3 de julho de 2017). Mas, não deixemos de ter esperança!
“A atitude que deve caracterizar o homem perante a criação é essencialmente a da gratidão e do reconhecimento: de fato, o mundo nos reconduz ao mistério de Deus que o criou e o sustém” (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 487). Desta forma a Igreja chama a atenção de um princípio de sua Doutrina Social: “a salvaguarda do ambiente”. É uma atitude que provém da fé no Criador, Deus que quis criar o mundo para que fosse a casa do homem e da mulher. O significado que a Igreja dá para a salvaguarda do ambiente é o de levar os homens e as mulheres à gratidão e ao reconhecimento. Gratidão, porque a Terra é a nossa casa, nela vivemos, crescemos e nos realizamos como pessoa. E mais, é na Terra onde experimentamos o amor das pessoas, damos amor e recebemos amor. Reconhecimento, de quem sente que o mundo é bom, que nele encontramos a comunicação de Deus, a sua aliança com os homens, a sua bênção da terra como dom ao seu povo eleito, e ainda, é o lugar da Encarnação: o Filho de Deus quis ser da terra, da carne, fazer parte da história dos homens e das mulheres que habitam esse mundo.
Em 2015, o Papa Francisco desenvolveu esse princípio na Carta Encíclica Laudato si’. Um texto que mostrou ao mundo que a preocupação com o meio ambiente é parte integrante da fé cristã. O Papa intitula a sua carta com as primeiras palavras de um canto de São Francisco, patrono da ecologia, que manifestou em sua vida uma relação com a natureza que se torna paradigma para todos. De fato, o Santo de Assis louvava a Deus pela natureza que considerava “irmã”. Diz o Papa Francisco: “… Francisco é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade. É o santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos. Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados… Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e numa maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo” (PAPA FRANCISCO. Carta Encíclica Laudato si’, n. 10).
Para o Papa a preocupação com a natureza, com o meio ambiente, deve levar a uma “ecologia integral”. Ainda falando do testemunho do Santo de Assis, Francisco reconhece: “Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior” (op. cit., n. 10). Uma ecologia integral leva-nos, sobretudo, a clamar para que não esqueçamos que, junto com o grito da Terra está o grito dos pobres.  Nunca separemos, então, fé em Deus e cuidado pela sua obra.
Fonte:http://arquidiocesedenatal.org.br/mensagem/a-situacao-do-mundo-e-a-nossa-esperanca

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